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Menos séries novas, mais reprises: como o streaming mudou de estratégia em 2026

Redação Culturize-se

O setor de televisão nos Estados Unidos vive seu quarto ano consecutivo de retração na produção de conteúdo original, segundo o relatório Midyear 2026 da Luminate, plataforma de dados que passou a cruzar, pela primeira vez, informações de música, cinema e televisão em uma única análise. O documento mostra que o número de estreias de séries caiu 15% na comparação anual, enquanto o volume de produções SVOD (vídeo sob demanda por assinatura) recuou 12%. No primeiro semestre de 2026, foram lançadas 517 séries nos EUA, ante 930 no mesmo período de 2022 — uma queda que, dependendo do recorte considerado, chega a quase 50% em relação àquele ano.

Foto: Reprodução/Internet

O encolhimento é ainda mais acentuado na TV a cabo. As emissoras do segmento estrearam 508 séries no primeiro semestre de 2022; em 2026, esse número caiu para 267, retração de 47%. O streaming também produziu menos, embora em ritmo menos drástico, e a TV aberta — que nunca produziu tantas séries originais quanto o cabo ou o streaming — segue com volume estável.

Apesar da redução na oferta de novidades, o tempo dedicado a assistir séries originais de streaming caiu apenas 4% no período, patamar ainda superior ao registrado alguns anos atrás. O dado reforça uma tendência central do relatório: o público segue consumindo grandes quantidades de conteúdo, mas cada vez mais recorrendo ao catálogo já existente em vez de esperar por lançamentos. As plataformas somam hoje cerca de 19 mil títulos de biblioteca contra pouco menos de 7 mil produções originais, e quase 60% do tempo assistido em casa é dedicado a filmes e séries com mais de um ano de existência — mais do que a soma de todo o consumo de séries originais, filmes originais e filmes antigos.

Outro destaque é a disputa entre streaming e TV aberta dentro do próprio ecossistema digital. “The Pitt”, da HBO Max, foi a série SVOD original mais assistida do ano, mas teve o total de minutos assistidos superado por duas séries originais da TV aberta, “Marshals” e “Tracker”, ambas da CBS — um resultado que, segundo a Luminate, contraria o discurso recorrente sobre o declínio da televisão aberta.

A Netflix segue na liderança do tempo de visualização de conteúdo original entre as plataformas de assinatura, respondendo por 57% do total nos Estados Unidos, ainda que sua fatia venha encolhendo enquanto concorrentes como Prime Video e HBO Max ganham espaço. No cinema, o serviço também se destacou: sete dos dez filmes mais assistidos em plataformas de streaming no período foram produções originais da Netflix, invertendo anos de predomínio de lançamentos que primeiro passaram pelos cinemas. Ainda assim, as salas de exibição mostram fôlego entre o público mais jovem: quase 70% da Geração Z e dos millennials disseram ter ido ao cinema ao menos duas vezes em três meses.

Para o CEO da Luminate, Rob Jonas, o relatório reflete uma indústria do entretenimento cada vez mais interligada, na qual música, cinema e televisão deixaram de ser analisados de forma isolada. O retrato que emerge de 2026, portanto, é o de um mercado que produz menos séries novas, mas onde o público segue assistindo tanto quanto antes.

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