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Anthropic investe US$ 200 milhões para mapear impacto da IA no mercado de trabalho

Redação Culturize-se

A Anthropic, criadora do modelo de inteligência artificial Claude, anunciou na última semana um investimento superior a US$ 200 milhões para financiar pesquisas sobre os impactos da IA no mercado de trabalho e na economia. O anúncio sinaliza uma mudança de fase no setor. O foco das grandes empresas deixa de ser apenas criar modelos mais poderosos e passa a medir as consequências sociais e econômicas da tecnologia em adoção acelerada.

O dinheiro será canalizado para o “Economic Futures Research Fund”, que financiará ensaios de pesquisa e avaliações de políticas públicas. A empresa também criará um programa de bolsas de US$ 150 milhões para ajudar profissionais em início de carreira a levar os benefícios da IA a comunidades por todo os Estados Unidos.

Em ensaio publicado em seu site pessoal, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que a IA pode provocar uma perturbação no mercado de trabalho “muito mais profunda e duradoura” do que as revoluções tecnológicas anteriores. Ele sugeriu que impostos sobre empresas de IA poderão, um dia, financiar um rendimento básico universal. “O principal desafio num mundo assim não será incentivar o crescimento, mas encontrar uma forma de todos partilharem os benefícios”, escreveu.

A Anthropic delineou um plano faseado para que o governo dos EUA responda a três níveis de perturbação: desemprego de 5%, 10% ou um nível “sem precedentes”. No cenário mais grave, a empresa defende apoio permanente, apontando renda básica universal, fundos soberanos e esquemas de partilha de capital como formas de redistribuir a riqueza gerada pela IA. Amodei sugeriu que a renda básica poderia ser financiada por impostos sobre “empresas relevantes” ou aumento do imposto sobre mais-valias.

Foto: Reprodução/Internet

A iniciativa da Anthropic segue uma promessa similar feita pela OpenAI no fim de junho, de garantir que os ganhos da IA sejam “amplamente partilhados”. O CEO da OpenAI, Sam Altman, reuniu-se recentemente com o senador Bernie Sanders para discutir a criação de um fundo público de riqueza que daria participações nas empresas de IA ao público. As duas empresas se preparam para abrir capital.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que se encontrará em breve com executivos do setor para discutir formas de “retribuir” ao público. “Se o fizermos, o público ficará muito rico”, afirmou aos jornalistas.

A discussão sobre os efeitos da IA no trabalho já deixou de ser acadêmica. “A tecnologia já faz parte da rotina de milhares de pessoas, e o impacto só tende a aumentar”, afirma Márcio Monson, especialista em IA e CEO da Selecty. Para ele, a IA inaugura uma mudança comparável à revolução industrial ou à internet. “Ela não cria apenas uma nova ferramenta; ela redefine a forma como o conhecimento é produzido, distribuído e utilizado. O trabalho intelectual, que durante décadas parecia protegido das grandes revoluções tecnológicas, passou a ser diretamente impactado.”

Monson destaca que a transformação altera a relação entre tempo e resultado. “Profissionais conseguem multiplicar sua capacidade de execução sem aumentar a jornada de trabalho. A diferença entre quem utiliza IA de forma estratégica e quem ainda trabalha pelos métodos tradicionais tende a crescer rapidamente.” Áreas como marketing, recursos humanos, jurídico, tecnologia, atendimento, vendas e finanças já incorporam ferramentas capazes de automatizar etapas de pesquisa, produção de conteúdo e análise de informações.

O executivo alerta que o maior risco não é a chegada da IA, mas a demora em incorporá-la. “Existe um custo invisível para quem adia essa adaptação. Enquanto algumas organizações discutem se devem adotar IA, outras já estão reduzindo ciclos de projetos, acelerando decisões e aumentando a produtividade.”

A Anthropic também recomendou que governos possam “bloquear ou dissuadir” modelos de IA que representem risco de danos catastróficos. Amodei defendeu que a supervisão tenha o mesmo rigor das regras da aviação nos EUA, com modelos testados e auditados antes do lançamento. “A IA, tal como os aviões, os automóveis e os medicamentos, é capaz de matar um grande número de pessoas se for mal concebida ou operada.”

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