Redação Culturize-se
Um novo relatório da OpenAI revela que o ChatGPT não apenas ampliou sua base de usuários em escala global, mas também transformou profundamente o perfil de quem interage com a inteligência artificial. Os dados demonstram um aprofundamento significativo no engajamento, uma expansão acelerada em mercados emergentes, com destaque para o protagonismo do Brasil e da América do Sul, e uma base de consumidores cada vez mais diversa, multilíngue e feminina.
À medida que a novidade se converte em hábito, os usuários passam a explorar um leque muito mais amplo de funcionalidades. Segundo o levantamento, seis meses após o cadastro inicial, os usuários enviam, em média, 50% mais mensagens por dia em comparação ao momento em que criaram suas contas. Além disso, o número de tarefas distintas realizadas na plataforma dobra nesse mesmo período. Esse salto de engajamento indica que a ferramenta deixou de ser uma curiosidade passageira para se consolidar como um recurso cotidiano e indispensável de produtividade, estudo e criatividade.
A expansão geográfica é outro pilar central do estudo. Desde meados de 2023, a adoção do ChatGPT cresceu acentuadamente em todos os continentes, impulsionada pela estratégia da empresa de oferecer acesso de baixo custo. O ecossistema da América Latina tem um peso crucial nessa mudança linguística e demográfica. A língua portuguesa, idioma oficial de nove países, tem no Brasil a sua maior força motriz, concentrando a vasta maioria dos seus falantes globais. Da mesma forma, a região abriga 18 dos 20 países que têm o espanhol como língua oficial.
Diante desse cenário linguístico e populacional, a América do Sul consolidou-se como uma das regiões de crescimento mais rápido na adoção do ChatGPT. O continente fica atrás apenas da África e da Ásia em termos relativos, superando de forma expressiva a Europa e a América do Norte em crescimento. Essa efervescência regional está diretamente ligada à superação da barreira do idioma. Hoje, mais da metade dos usuários ativos do ChatGPT já utiliza predominantemente um idioma diferente do inglês. O espanhol lidera isoladamente entre os idiomas não-ingleses, seguido diretamente pelo português — reflexo direto do boom sul-americano e brasileiro — e pelo árabe.

A nova análise também aponta para uma base de usuários muito mais diversa no que tange ao gênero. Globalmente, o uso associado a contas com nomes tipicamente femininos cresceu substancialmente, com as mulheres já representando mais da metade da base local de usuários em diversas regiões. O Brasil se destaca nesse cenário: o país está entre os mercados líderes mundiais onde o volume de mensagens enviadas por usuárias com nomes tipicamente femininos supera amplamente o de nomes tipicamente masculinos. Outros países como Colômbia, Polônia e Namíbia também lideram essa tendência, enquanto nações como Paquistão e Angola ainda apresentam uso mais concentrado entre homens. Vale ressaltar que os dados são estimativas baseadas em nomes, uma vez que a plataforma não coleta informações declaradas sobre o gênero.
Os achados fazem parte de um levantamento do OpenAI Signals, baseado em dados macro, agregados e anonimizados de planos individuais. Eles demonstram de forma empírica como a IA generativa está expandindo e dissolvendo barreiras geográficas e demográficas tradicionais. Em suma, os dados trazem um panorama rico e inédito sobre o papel central do Brasil na IA global, o crescimento acelerado da América do Sul e a profunda transformação no perfil de quem usa a tecnologia.