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Dua Lipa inaugura biblioteca com livros censurados em histórica livraria de Portugal

Redação Culturize-se

A cantora britânica Dua Lipa deu um novo passo em seu incentivo à literatura ao inaugurar, no último fim de semana, a Biblioteca Manifesto, um espaço dedicado a livros que foram censurados ou proibidos em diferentes partes do mundo. Instalada na histórica Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, a iniciativa reúne 100 títulos que, segundo a artista, desafiaram estruturas de poder e continuam a estimular reflexões sobre liberdade, identidade, memória e pensamento crítico.

O projeto marca a expansão do Service95, clube do livro criado por Dua Lipa há cerca de três anos nas redes sociais. Agora, a iniciativa ganha um espaço físico em parceria com a Livraria Lello, uma das mais famosas do mundo, durante a estreia do festival internacional BABELL – Cidade dos Livros.

Leia também: Dua Lipa assume curadoria de festival literário em Londres

Em publicação conjunta, o Service95 e a Livraria Lello afirmam que a Biblioteca Manifesto nasceu da convicção de que a censura representa uma perda que vai além da literatura. “Muito mais do que uma história se perde quando um livro é censurado. Essa proibição restringe o direito de questionar, imaginar e compreender o mundo”, destaca o manifesto do projeto.

Foto: Divulgação

Entre as obras selecionadas estão títulos que abordam temas frequentemente alvo de censura, como política, raça, gênero e sexualidade. A coleção inclui “O Conto da Aia”, da escritora canadense Margaret Atwood, romance distópico que retrata uma sociedade teocrática em que as mulheres são privadas de seus direitos; “Felon”, de Reginald Dwayne Betts, sobre encarceramento e reinserção social; além de livros de autores como a vencedora do Nobel de Literatura Olga Tokarczuk e o escritor Salman Rushdie, que ao longo da carreira enfrentou perseguições e ameaças por sua obra.

A escolha da Livraria Lello reforça o simbolismo da iniciativa. Inaugurado em 1906, o edifício é considerado um dos principais cartões-postais do Porto e um dos espaços literários mais emblemáticos da Europa. Projetada pelo engenheiro português Francisco Xavier Esteves em estilo neogótico, a livraria se destaca pelos arcos ornamentados, estantes de madeira esculpida e pelo vitral de oito metros de extensão estampado com a inscrição latina Decus in Labore (“dignidade no trabalho”).

Foto: Divulgação

Seu elemento mais famoso é a escadaria vermelha em formato de oito, frequentemente associada ao universo de Harry Potter. Embora nunca tenha sido confirmada por J.K. Rowling, a ligação ganhou força porque a escritora viveu na cidade portuguesa no início da década de 1990.

Ao unir literatura, patrimônio histórico e debate sobre liberdade de expressão, a Biblioteca Manifesto transforma um dos espaços culturais mais visitados de Portugal em um convite permanente à leitura crítica e à defesa do livre pensamento.

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