Redação Culturize-se
O que acontece quando a conversa deixa de ocupar espaço dentro de um relacionamento? Essa foi a pergunta que mobilizou a atriz, diretora e escritora Maria Flor e o filósofo e psicanalista Emanuel Aragão durante um momento delicado da vida a dois. Em vez de encerrar o diálogo, o casal decidiu retomá-lo por meio da escrita. Durante 180 dias, trocaram cartas como exercício de escuta e compreensão mútua. O resultado dessa experiência deu origem ao livro “O amor ainda é possível?”, lançamento da Editora Planeta.
Construída a partir de uma vivência real, a obra transforma uma crise conjugal em ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre os desafios dos relacionamentos na contemporaneidade. Entre relatos pessoais e análises, Maria Flor e Emanuel abordam temas que atravessam a rotina de muitos casais, como desejo, exaustão, filhos, tempo, redes sociais e a dificuldade de preservar espaços de conversa em meio às exigências da vida cotidiana.
Ao longo das páginas, os autores evitam apresentar fórmulas para manter um relacionamento duradouro. Em vez disso, propõem um exercício de escuta, no qual experiências íntimas se conectam a questões universais. A escrita das cartas torna-se, assim, um instrumento de reconstrução do vínculo e um convite para que o leitor reflita sobre as próprias relações afetivas.

Conhecidos pelo canal “Flor e Manu”, no YouTube, onde reúnem milhares de seguidores discutindo comportamento, afetos e relacionamentos, os autores ampliam no livro debates que já fazem parte de sua produção de conteúdo. A proposta é aprofundar essas conversas em um formato que permite maior elaboração e intimidade, explorando a linguagem como ferramenta de encontro.
Maria Flor já possui uma trajetória consolidada na televisão, no cinema e na literatura. Atriz de novelas como “Cabocla”, “Belíssima”, “Sete Vidas” e, mais recentemente, “Garota do Momento”, também atuou em diversos filmes e estreou como escritora em 2020, com a autoficção “Já não me sinto só”.
Emanuel Aragão é filósofo formado pela Universidade de Brasília (UnB), psicanalista e pesquisador da neuropsicanálise. Autor de obras sobre filosofia, narrativa e psicanálise, dedica-se ao estudo das relações entre os afetos, a escrita e os processos de elaboração subjetiva.
“O amor ainda é possível?” chega às livrarias propondo uma reflexão sensível sobre os desafios de amar em tempos marcados pela velocidade, pelo excesso de estímulos e pela dificuldade crescente de cultivar a escuta. Em vez de respostas definitivas, o livro aposta na conversa como ponto de partida para reconstruir vínculos e repensar a experiência do amor no mundo contemporâneo.