Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

"Seus Amigos e Vizinhos" mantém verve e aprofunda olhar sobre seus personagens

Por Reinaldo Glioche

A 2ª temporada de “Seus Amigos e Vizinhos” é tão boa quanto a primeira. Não é pouca coisa no cenário televisivo tão pressionado e fragmentado como o de hoje. A produção da Apple segue assertiva, incrivelmente inteligente, com texto afiado e fluída.

Mais ambiciosa no 2º ano, a criação de Jonathan Tropper avança filosoficamente e se situa entre “Desperate Housewives”, no comentário social agudo e na articulação de intrigas suburbanas, e “Breaking Bad”, no estudo detalhado e nuançado das escolhas morais que vão enterrando o protagonista em um mundo de malevolências em que reconhecer-se passa a ser um esforço deslocado.

Os personagens secundários ganham mais força no segundo ano. De Barney (Hoon Lee), o contador, melhor amigo e agora literalmente parceiro no crime de Coop (Jon Hamm), a Mel (Amanda Peet), a ex-mulher que não consegue se descobrir fora dessa relação.

Fotos: Divulgação

Peet talvez seja o grande destaque do elenco nessa segunda temporada. Mel está às voltas com a perimenopausa e, como a própria personagem grifa, “em guerra com seu corpo”. Peet aborda essas intermitências da vida com uma tristeza profunda e uma inquietação que valida a raiva desendereçada que acomete a personagem.

Jon Hamm, claro, não fica para trás. Ator de elevado carisma e traquejo dramático, ele traz novas camadas para Coop, que neste ano precisa encarar do luto a um bilionário, vivido com a dose certa de suspeição e charme por James Marsden, que o chantageia e, por consequência, aumenta os riscos inerentes à sua vida dupla.

“Seus Amigos e Vizinhos” sabe, como nenhuma outra produção atual, respirar. O episódio dedicado ao luto de Coop é um primor. Despressuriza o ritmo do conflito central que move a trama ao mesmo tempo que o ressignifica. É uma expressão da diligência narrativa de uma série que insiste em ter tudo no lugar certo.

A pujança dramática é orientada por um texto sempre cativante e cuja inteligência norteia personagens muito bem defendidos por seus intérpretes. Ainda assim, e talvez por esse patamar erigido, o último episódio do 2º ano causa certa estranheza por algumas soluções que destoam da sempre robusta fundamentação dramática.

A economia de ideias da série, porém, sobrevive a uma oscilação como esta e os arranjos para o 3º ano soam promissores. “Seus Amigos e Vizinhos” permanece como um dos programas mais envolventes do streaming contemporâneo.

Isso pode te interessar

Marketing

WhatsApp se consolida como eixo de vendas e impulsiona crescimento do comércio conversacional

Pesquisa revela mudança estrutural na forma como consumidores interagem e compram de empresas

Séries

"Seus Amigos e Vizinhos" mantém verve e aprofunda olhar sobre seus personagens

Série da Apple escala em ambição e amplitude dramática e se consolida como herdeira legítima de “Breaking Bad”

Artes Plásticas

Bienal Black Brazil Art anuncia 125 artistas e reforça cartografia da arte negra contemporânea

Reportagens

O viajante 60+ e o mercado que ainda não o alcança

Estudo aponta crescimento da economia da longevidade no Brasil

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.