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Bia Monteiro leva a Caatinga para o Centro do Rio em nova exposição

Redação Culturize-se

O espaço independente Abapirá, localizado no Centro do Rio de Janeiro, abre suas portas para a exposição “Debaixo da terra, um segredo canta”, individual da artista carioca Bia Monteiro. Com curadoria de Claudio Oliveira, a mostra apresenta obras inéditas que exploram a relação entre corpo, paisagem e memória em diferentes suportes, como escultura, fotografia, desenho e vídeo. A entrada é gratuita.

A iniciativa integra o Projeto Janelas da Abapirá, realizado com apoio do programa Reviver Centro, voltado à revitalização urbanística, cultural e social da região central da cidade.

As obras foram produzidas a partir de viagens recentes da artista pela Caatinga, território que serviu de base para novas investigações estéticas e poéticas. Entre os destaques estão a videoinstalação “Voo da Maria do Nordeste”, além de esculturas em pedra, cerâmica, terra e madeira. A exposição também reúne a série de desenhos “Moléculas celestes”, feitos em giz pastel, nos quais linhas delicadas evocam forças invisíveis e conexões entre o terrestre e o cósmico.

Segundo o curador, que também leciona no Departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF), a mostra amplia debates sobre corpo feminino, natureza e heranças coloniais. “A prática de Bia Monteiro é atravessada pela relação entre corpo e paisagem, ao mesmo tempo que desconstrói o olhar colonial e masculino sobre a natureza e as mulheres. Seus trabalhos produzem objetos insólitos a partir daquilo que encontra no ambiente rural”, afirma.

Trajetória e pesquisa artística

Nascida no Rio de Janeiro, em 1976, Bia Monteiro construiu carreira multidisciplinar, transitando entre escultura, fotografia, vídeo, desenho e instalação. Sua obra é marcada por uma escuta atenta da natureza, cultivada desde a infância em uma área rural do estado do Rio. “Na obra de Bia Monteiro, a natureza não é apenas tema, mas colaboradora e invasora do processo criativo”, resume o curador.

Com passagens por exposições no Brasil e em países como Japão, Moçambique, Estados Unidos, Equador e Itália, Monteiro consolidou-se como uma das vozes relevantes da arte contemporânea brasileira, investigando relações entre corpo, paisagem e fragilidade ambiental.

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