Redação Culturize-se
“Nosso esporte é rico em histórias, lendas e dramas, e capturar isso em imagens é a forma perfeita de recordar os 100 momentos que definiram nossos 75 anos de história”, escreve Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1, em seu prefácio para “Formula 1: The Impossible Collection”. O novo livro da editora Assouline, inédito no Brasil e com preço sugerido de £1,150, costurado à mão e concebido para ocupar lugar de destaque nas mesas de centro dos fãs, oferece uma jornada fotográfica repleta de nostalgia pela evolução da Fórmula 1 — desde sua estreia bruta em 1950 até o espetáculo global de alta tecnologia de hoje.
Embora as imagens sustentem grande parte da narrativa, o autor Brad Spurgeon, ex-jornalista de Fórmula 1 do The New York Times e do International Herald Tribune, acrescenta comentários perspicazes na medida certa para aprofundar nossa compreensão. Ele explora as rivalidades lendárias que moldaram a dramática história da F1 — desde o intenso duelo de 1976 entre Niki Lauda, da Ferrari, e James Hunt, da McLaren, passando pelos confrontos amargos entre Ayrton Senna e Alain Prost em 1989 e 1990 em Suzuka, até a tensa decisão do título entre Michael Schumacher e Damon Hill em 1994, na Austrália, que também terminou em colisão.
Momentos de triunfo e alegria também são capturados com igual vivacidade. O livro destaca o aceno casual de Juan Manuel Fangio após conquistar o título de 1951, Nigel Mansell encharcando Senna com champanhe em 1992 após garantir o campeonato, e um jovem e radiante Michael Schumacher em sua estreia pela Jordan em 1991. Também retrata Fernando Alonso sendo erguido por sua equipe Renault após se tornar o campeão mundial mais jovem em 2005, e a dupla celebração de Max Verstappen com a Red Bull em 2023 pelos títulos de pilotos e construtores.
Mas o lado sombrio da Fórmula 1 nunca está longe da vista. O livro não evita os capítulos trágicos do esporte, como o terrível acidente de Lauda em 1976, em Nürburgring — e seu retorno surpreendente, terminando em quarto lugar em Monza apenas seis semanas depois, ainda enfaixado e visivelmente marcado. Uma homenagem comovente é prestada a Senna, que morreu no Grande Prêmio de San Marino em 1994, durante um fim de semana catastrófico que também tirou a vida de Roland Ratzenberger e feriu Rubens Barrichello e espectadores. Spurgeon também reconhece a longa lista de pilotos que perderam a vida nas perigosas primeiras décadas da F1.


Felizmente, a era moderna do esporte testemunhou vastas melhorias na segurança — juntamente com avanços tecnológicos impressionantes. Os pilotos de hoje navegam por um mundo de dados, simulações e engenharia de precisão, mas as exigências físicas e mentais continuam extraordinárias: forças G cinco vezes o peso corporal, cockpits a 60°C, velocidades médias de 350 km/h e a consciência constante de que um único erro pode ser fatal. Apenas atletas de elite — muitas vezes moldados desde a juventude em circuitos competitivos e caros de kart — conseguem alcançar esse nível. Verstappen, por exemplo, começou a correr aos 17 anos, seguindo os passos de um pai piloto de F1 e de uma mãe campeã de kart.
Por meio das redes sociais, da série “Drive to Survive” da Netflix e dos serviços de streaming, os fãs de hoje têm acesso sem precedentes aos bastidores do esporte e às suas personalidades. No entanto, como Spurgeon reflete, os espectadores modernos talvez estejam mais distantes do que nos primeiros e menos regulamentados dias da F1, quando o acesso à pista era casual e íntimo. Este livro, portanto, oferece mais uma vez um raro close-up — do conforto de uma poltrona, sem o rugido e os vapores.