Redação Culturize-se

A esfiha, tesouro da culinária árabe originário das ruas do Líbano e da Síria, transcendeu suas origens para se tornar um fenômeno gastronômico global. Com seu nome derivado do árabe “sfeeha”, que significa “achatado”, esta iguaria nasceu como alimentação prática para comerciantes e viajantes nas antigas rotas do Oriente Médio.
A receita tradicional consiste em uma massa fina de farinha de trigo, moldada em formato circular ou meia-lua, recheada com carne moída e temperada com especiarias árabes. No preparo original, utiliza-se carne de cordeiro ou bovina, combinada com cebola, tomate, tahine e temperos aromáticos como sumac, pimenta-síria e zaatar.
No Brasil, a história da esfiha ganhou um capítulo especial com a Esfiha Imigrantes, empresa que celebrou 49 anos de existência neste mês. Fundada por Olívio Bezerra de Mello em 1976, na antiga Rodovia dos Imigrantes (atual Avenida Doutor Ricardo Jafet), em São Paulo, a marca se tornou um ícone da gastronomia árabe na cidade.
A gestão familiar da empresa, agora em sua terceira geração, ilustra como a tradição pode se adaptar aos novos tempos sem perder sua essência. Jorge Bezerra de Mello, filho do fundador, assumiu o negócio no final dos anos 80, expandindo suas operações. Atualmente, o estabelecimento comercializa mais de 300 mil esfihas e 60 mil quibes mensalmente.
Durante a pandemia, Filipe Mello, neto do fundador, trouxe um olhar inovador ao negócio, modernizando as operações e expandindo para o ambiente digital. Sob sua gestão, a empresa entrou no iFood em 2019, onde alcançou um marco significativo: a unidade matriz se tornou a loja única com maior volume de vendas em todo o país, superando grandes redes internacionais de fast-food.

Esta história de sucesso reflete a própria trajetória da esfiha no Brasil, onde o salgado árabe se adaptou aos gostos locais, ganhando versões inovadoras como frango com catupiry, queijo, escarola e até variações doces. A versatilidade do produto se estende também aos métodos de preparo, que foram adaptados dos tradicionais fornos de barro do Oriente Médio para os fornos convencionais e até mesmo frituras em algumas regiões do país.
A evolução da Esfiha Imigrantes simboliza como tradições culinárias podem se transformar e prosperar em novos contextos, mantendo suas raízes enquanto abraçam a inovação e as demandas contemporâneas.