Redação Culturize-se

O livro “Mestres da Pintura Espontânea”, organizado pelo pesquisador e galerista Roberto Rugiero, reúne trabalhos de 42 artistas autodidatas de dez estados brasileiros, incluindo Alagoas, Bahia, Mato Grosso e São Paulo, que se destacam na chamada “arte espontânea”.
A obra, cuja produção se estendeu de 2018 até após o falecimento de Rugiero, conta com curadoria de sua filha, Fedra de Faria Rugiero. Ela explica que a coletânea é pioneira ao abordar artistas de diferentes regiões do Brasil, que traduzem temas do cotidiano e da cultura popular em obras autênticas e coloridas. “A obra sintetiza a visão de meu pai, que foi um dos grandes incentivadores desse estilo de arte no país, tendo ajudado a formar coleções tanto no Brasil quanto no exterior”, destaca Fedra.
Publicado pela editora da Galeria Brasiliana, o livro traz textos em português e inglês, além de reproduções das obras e cartas escritas pelos artistas. A edição foi elaborada com direção de arte de Céu D’Ellia e conta com edição de Denise Mattar.
Rugiero, reconhecido como um dos pioneiros na valorização da arte popular no Brasil, defendia o termo “arte espontânea” em substituição a expressões como “arte naïf” ou “primitiva”, que considerava depreciativas. “Ele dizia que os artistas espontâneos nada têm de ingênuos, pois abordam temas com simplicidade e intensidade”, explica Fedra.
Nascido em São Paulo, Roberto Rugiero atuou na pesquisa e divulgação de artistas brasileiros e fundou a Galeria Brasiliana em 1980. Ao longo de sua carreira, também incentivou o mercado de arte indígena, consolidando-se como uma figura central na valorização da arte brasileira.