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“O Estrangulador de Boston” é bem-sucedido ao unir thriller e agenda feminista

Filme da 20th Century Studios lançado pelo streaming Star+ conta história real de duas jornalistas que se dedicaram à cobertura do caso

Por Reinaldo Glioche

História já contada pelo cinema algumas vezes – a mais notória delas com os astros da era de ouro de Hollywood Tony Curtis e Henry Fonda -, o caso de mulheres que foram estranguladas em Boston no início da década de 60 ganha um verniz atual, com reflexões pertinentes e bem-vindas em “O Estrangulador de Boston” (Boston Strangler, EUA 2023).

Escrito e dirigido por Matt Ruskin, o filme se distingue de seus predecessores por vincular a obstinação da protagonista vivida por Keira Knightley à incipiente agenda feminista na sociedade norte-americana. Mas “O Estrangulador de Boston” se ocupa de outras reflexões como sobre o caráter misógino dos assassinatos e mesmo da investigação deles, de como o elemento midiático pode tergiversar perspectivas e expectativas e até mesmo contaminar uma investigação criminal.

Nesse contexto, o longa de Ruskin se mostra muito mais sofisticado do que a média dos thrillers feitos atualmente. Não é por acaso que o cinema de David Fincher, da fotografia à organização narrativa, surge como uma referência aqui. “Zodíaco” é o paralelo óbvio, claro, mas o comentário sobre como a mídia redimensiona um crime e seus mitos remete diretamente a “Garota Exemplar”.

Carrie Coon é outro vértice presente em “Garota Exemplar” em cena, aqui como uma jornalista bem conectada e com bom faro para histórias que se une a personagem de Knightley, a primeira a detectar uma onda de crimes contra mulheres, para cobrir um caso que vai se revelando mais complexo e intrincado à medida que elas mergulham nele.

Foto: divulgação

Ganhos e perdas

Claro que “O Estrangulador de Boston”, como todo e qualquer fruto do gênero, observa as perdas pessoais de suas heroínas pelo bem de sua causa, aqui o jornalismo, a investigação, a autonomia profissional feminina, mas Ruskin é hábil ao sugerir a todo o tempo que há muito mais em jogo.

Na balança de contrapesos do longa, ao final, fica muito claro que, a despeito de um criminoso preso e condenado, não só o sentimento de derrota é indevassável, como a sensação de paz talvez esteja permanentemente perdida. É a maneira como chega a esse desfecho, para todos os efeitos uma investigação à margem daquela que move a narrativa, que faz de “O Estrangulador de Boston” uma produção tão destacada.

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