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As chances de Fernanda Torres no Oscar

Reinaldo Glioche

Fernanda Torres
Foto: Reprodução/Instagram

A brasileira Fernanda Torres, que carrega uma torcida monumental, expressa pelo frisson nas redes sociais, tem boas chances de ganhar o Oscar de Melhor Atriz no próximo dia 2 de março. A favorita é Demi Moore, que emplacou indicações ao Critic´s Choice, ao Bafta e ao SAG, além da vitória no Globo de Ouro como Atriz em Comédia.

Assim como Moore, apenas a espanhola Karla Sofía Gascón (“Emilia Pérez”) está presente em todas essas premiações. Mas Fernanda Torres tem a seu favor a performance mais “clássica” de todas as indicadas. As outras concorrentes são Mikey Madison por “Anora” e Cynthia Erivo por “Wicked”.

Além de ter a atuação mais palatável para os padrões da Academia, Torres se beneficia do apreço cada vez mais elevado dos membros da Academia pelo filme brasileiro, enquanto que Demi Moore defende uma atuação em um filme de terror, gênero tradicionalmente preterido pela organização. Ademais, qualquer prognóstico esmerado nas eventuais vitórias de Moore nesses prêmios precursores é incompleto, já que as duas atrizes só vão medir força no Oscar. Torres, convém lembrar, ganhou o Globo de Ouro na ala dramática da premiação.

O engajamento nas redes sociais, a campanha onipresente – com direito a aparição na semana de moda de Paris – e até mesmo o embate mais acalorado entre as campanhas de “Ainda Estou Aqui” e “Emilia Pérez” podem ajudar a colocar a atriz em evidência no momento de definição de votos. A presença do filme entre os indicados a Melhor Filme garante um interesse maior dos votantes pela obra.

São circunstâncias muito favoráveis a sua candidatura e ajuda, ainda, que as maiores chances do filme ganhar um Oscar residem aqui, então aqueles que apreciam o filme podem se sentir impelidos a agraciá-lo na categoria em que justamente há mais chances de vitória.

Campanha virulenta

São comuns campanhas difamatórias no Oscar. Nessa edição, “O Brutalista” e “Conclave” já se viram alvo, mas nada se compara ao que acontece com “Emilia Pérez”, o líder de indicações no ano. De obra corajosa e celebrada em Cannes, à produção preconceituosa e caduca, a jornada do longa no Oscar tem amealhado hate e percalços que colocam, ainda, a atriz Karla Sofía Gascón, a primeira trans a concorrer em uma categoria de atuação, no olho do furacão. Muito em virtude dos brasileiros terem o filme como rival de “Ainda Estou Aqui”. Já sobrou hate até para Gwyneth Paltrow, que derrotou Fernanda Montenegro em 1999, e declarou torcida para a amiga Demi Moore em 2025.

A ação coordenada da campanha do filme brasileiro, que é legítima dentro da dinâmica instituída por figuras como Harvey Weinstein e tolerada pela Academia, ajuda a alterar a percepção sobre um filme imaginativo, corajoso e muito sensível.

Fernanda Torres, porém, não tem nada com isso e vê suas chances crescerem a cada semana na categoria mais empolgante do Oscar 2025.

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