Redação Culturize-se
Raye mal consegue conter sua empolgação enquanto relembra o riff lendário de Christina Aguilera em “Burlesque”, que ecoa em seus ouvidos desde a primeira vez que o ouviu. “Quando eu digo que estudei aquele riff, eu estudei mesmo,” ela ri, sentada em um vestido Versace preto ajustado, sua voz transbordando entusiasmo. “YouTube, eu. Sala de estar. Porta fechada. Tocar, rebobinar. Tocar, rebobinar.”
Agora, Raye não está mais apenas assistindo de longe — ela está sentada na própria sala de estar de Aguilera, cercada por arte colorida e um toque de história da cultura pop, enquanto se preparam para se conhecerem pela primeira vez. Aguilera desce uma escada burgundy, com sua roupa complementando o ambiente quente e artístico, e cumprimenta Raye com um abraço caloroso. “Você está linda!” diz Aguilera, com o tom genuíno de uma mentora e colega artista, abraçando o momento.
Durante a próxima hora, essas duas potências vocais posam para fotos no estúdio caseiro de Aguilera, um verdadeiro santuário de suas conquistas musicais. Troféus do Grammy e Grammy Latino estão expostos como artefatos preciosos, uma lembrança do impressionante legado de Aguilera, que inclui faixas atemporais como “Beautiful” e “Ain’t No Other Man” — músicas que Raye cresceu ouvindo em Tooting, no sul de Londres. O vídeo do bate-papo pode ser conferido na reportagem da Rolling Stone.

Apesar de nunca terem se encontrado antes, as duas artistas trocam histórias com a facilidade de velhas amigas. “Nós estávamos loucas para conversar, mas tentamos guardar para a entrevista!” brinca Raye. Ao longo da conversa, elas se conectam por seu amor por instrumentos ao vivo, pelos desafios das turnês e pela busca incessante da perfeição vocal.
“Como você transporta sua orquestra de uma cidade para outra?” pergunta Aguilera, claramente intrigada pelos detalhes da configuração de Raye. “Eu amo músicos,” responde Raye apaixonadamente. “Isso é o número um no palco. Mesmo que o palco pareça simples, eu preciso ter instrumentos ao vivo.” Raye descreve como sua banda principal de cinco músicos a acompanha em todos os shows, garantindo que a música permaneça autêntica e dinâmica, independentemente do local. “Desde que começamos a usar metais no palco, fiquei obcecada,” acrescenta com um brilho nos olhos.
Aguilera, sempre amante de sons grandes e audaciosos, se identifica: “Fiz um show no Hollywood Bowl com a Filarmônica de L.A. Eu me senti como uma criança em uma loja de doces,” ela relembra. “Arranjos orquestrais de ‘Genie in a Bottle’? Sim, por favor!”
A conversa logo muda para as influências de jazz de Raye, um elemento-chave de seu estilo que Aguilera aprecia profundamente. “De onde vêm essas influências de jazz?” pergunta Aguilera. “Tenho ouvido os grandes,” responde Raye, listando nomes como Ella Fitzgerald, Etta James e Dinah Washington. “Somos todos apenas esponjas.”
“Mas se você vai seguir o jazz, tem que sustentar isso vocalmente,” Aguilera contrapõe, elogiando o vibrato de Raye e suas escolhas intrincadas de notas. “Adoro ouvir vocalistas de verdade que se desafiam, que fazem de cada performance ao vivo uma oportunidade para evoluir.” Para Aguilera, é claro que Raye tem tudo o que é preciso para ser uma artista versátil e destemida.
Um dos momentos mais emocionantes do bate-papo acontece quando Aguilera se abre sobre as lutas de sua carreira no início, revelando como se sentiu sufocada pelas expectativas rígidas da indústria pop. “Quando entrei nesse negócio, houve um grande boom do pop, e era muito específico o que uma gravadora queria que uma estrela pop fosse, como soasse,” ela relembra. “Eu queria tanto, mas sentia que minha voz estava sendo sufocada.”
Raye, claramente emocionada, responde: “Isso até me deixa desconfortável na minha própria pele. Só me deixe cantar.”
A jornada de Aguilera ressoa com Raye, que também enfrentou suas próprias dificuldades. Ela relembra um momento difícil em que não estava no controle de sua música: “Eu estava na esteira, lançando músicas que eu odiava,” diz. Foi a orientação de 070 Shake que a ajudou a recuperar o foco: “Ela me disse, ‘Se você não gosta da sua música, então para que você está fazendo isso?'”
À medida que a conversa flui, Aguilera não consegue deixar de se maravilhar com a paixão de Raye. “Sou uma grande fã,” ela admite, citando “Escapism” como uma das faixas que mais chamou sua atenção. “A maneira como você escreveu essa música! Foi tão inteligente e natural, nada forçado.”
A admiração é mútua, com Raye elogiando o clássico hit de Aguilera, “Candyman”, e o inesquecível riff de “Burlesque“. Ela confessa que praticou o riff repetidamente, embora hesite em performá-lo na frente de Aguilera. Para sua surpresa, Aguilera sugere que tentem juntas. O que se segue é um dueto espontâneo, suas vozes se entrelaçando sem esforço. “Eu poderia fazer isso mais 10 vezes!” exclama Aguilera com um sorriso.
A conversa se volta para colaborações futuras. “Devíamos escrever juntas,” sugere Raye, com os olhos brilhando de entusiasmo. Aguilera, sorrindo, concorda com um aceno de cabeça. Um dueto entre essas duas potências vocais parece não apenas possível, mas inevitável.