Redação Culturize-se

A Usina de Arte, localizada em Água Preta, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, é um exemplo notável de como a arte e a natureza podem se fundir para criar um espaço inovador e transformador. Inaugurada há quase uma década por Ricardo e Bruna Pessôa de Queiroz, a Usina ocupa o terreno de uma antiga produtora de açúcar, a Usina Santa Terezinha, que um dia foi a maior do Brasil. Hoje, o local é um parque artístico botânico que mescla paisagismo exuberante com obras de arte contemporânea, servindo como um ponto de encontro entre a cultura local e a arte internacional.
Inspirada pelo Instituto Inhotim, em Minas Gerais, a Usina de Arte foi idealizada para ser um espaço de intercâmbio artístico, onde obras de arte em grande escala são concebidas especificamente para o local. Desde sua fundação, mais de 45 obras foram incorporadas ao acervo, a maioria delas resultado de residências artísticas. O conceito é criar não apenas um local para exibir obras, mas sim um ambiente onde a arte dialoga profundamente com a paisagem e com a comunidade local.
Entre as obras que compõem o acervo da Usina, destacam-se peças de renomados artistas nacionais e internacionais. Um dos trabalhos mais polêmicos é a escultura “Diva”, de Juliana Notari, que retrata um órgão sexual feminino gigante. A obra, fincada em um dos pontos altos da Usina, causou reações tanto de admiração quanto de choque, especialmente por parte de segmentos mais conservadores da sociedade.
Além de Notari, a Usina de Arte também abriga a obra “Generator”, da artista performática Marina Abramović, que foi instalada permanentemente no local. Essa escultura, um muro de 25 metros de comprimento, permite a interação do público com cristais de quartzo, convidando os visitantes a se reconectarem com a natureza. Abramović destacou a importância de levar a arte para além do eixo Rio-São Paulo, enfatizando que espaços como a Usina têm um papel fundamental em democratizar o acesso à arte contemporânea.
Outra obra de destaque é “Banquete da Terra”, de Denise Milan. Exibida em uma gruta especialmente criada para o projeto, a instalação evoca a relação da humanidade com a terra e os elementos naturais, em um ambiente que remete a um útero materno. A integração entre arte e natureza, elemento central do projeto museológico da Usina de Arte, é especialmente evidente nessa obra, que faz uso de cristais e outros minerais para criar uma experiência sensorial imersiva.
A Usina de Arte também se destaca por suas iniciativas educacionais e socioambientais. Através de parcerias com entidades públicas e privadas, o projeto investe em ações que beneficiam diretamente a comunidade local. Um exemplo disso é a recém-inaugurada Fab Lab Mata Sul, uma biblioteca equipada com tecnologia de ponta, como impressoras 3D e cortadoras a laser, que visa oferecer à população local oportunidades de desenvolvimento e capacitação. Além disso, o projeto promove o reflorestamento da área, com o objetivo de reduzir a temperatura da região e restaurar o ecossistema local.

O Festival Arte na Usina, realizado anualmente em novembro, é outro ponto alto do projeto. Com apresentações de artistas como Alceu Valença, Arnaldo Antunes e Chico César, o evento atrai um público diversificado e ajuda a consolidar a Usina de Arte como um destino turístico e cultural. A ideia de criar um parque que não só proporcionasse um legado artístico, mas também fomentasse o turismo e o desenvolvimento econômico na região, sempre foi um dos objetivos centrais do projeto.
Com uma estrutura única e uma proposta que alia arte, educação e sustentabilidade, a Usina de Arte se posiciona como um importante espaço cultural no Brasil, com impacto tanto local quanto internacional. A combinação de obras de arte grandiosas com uma paisagem natural exuberante cria uma experiência única para os visitantes, que podem explorar o local gratuitamente. A Usina não apenas oferece uma plataforma para artistas contemporâneos, mas também transforma a vida da comunidade ao seu redor, consolidando-se como um verdadeiro centro de inovação cultural e social.