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Plural e inquietante, Fernanda Young ganha documentário à altura de sua persona

Por Reinaldo Glioche

Fernanda Young - Foge-me o Controle
Foto: Divulgação

Profundamente reflexiva, divertida, poética, provocadora e melancólica são algumas das definições cabíveis a Fernanda Young (1970 – 2019), uma das mais polivalentes pensadoras da cena cultural brasileira que se assentava à margem da elite cultural do país. Também essa característica é dimensionada em “Fernanda Young – Foge-me ao Controle”, documentário assinado por Susanna Lira que chega às telas de cinema em 29 de agosto.

Essencialmente o filme captura o pensamento de Fernanda Young de maneira para lá de cativante. Com o argumento de Lira em parceria com Marcella Tovar, a produção propõe uma viagem poética por meio de trechos de programas de TV que apresentou, depoimentos que deu e imagens de sua vida pessoal. O filme traz ainda cenas de filmes e séries roteirizados por ela – como “Os Normais” e “Shippados” –, muitas vezes em parceria com o marido, Alexandre Machado. 

A obra se desdobra em fases, delineando primeiramente a personalidade de Fernanda, passando por suas crenças e descrenças, sua relação consigo mesma e o mundo à sua volta, chegando à sua obra multimidiática, sua predileção pela alcunha de escritora, sua crise com o desdém do mundo acadêmico por sua obra literária, entre outros labirintos da existência dessa mulher tão deliciosamente inclassificável.

Trata-se de um filme muito sensível na abordagem e delicado na forma. Trechos de alguns de seus 15 livros publicados, tanto de poesia quanto de prosa, ganham vida no filme, lidos pela atriz Maria Ribeiro e animações criadas a partir de desenhos feitos pela própria Fernanda completam o mosaico do documentário.

Nos créditos finais, o reconhecimento de que a celebração acadêmica que Fernanda tanto perseguiu em vida veio após sua morte, mas embora esse lastro represente um dos conflitos mais bem engendrados do documentário, é indesviável a sensação dele estar lá apenas como uma nota de rodapé. Fernanda Young, afinal, é tão universal e mediúnica – surge em conversa com Pedro Bial dizendo que “escreve para a posteridade” e que já se reconhece “imortal” – que os conflitos terrenos despontam para sua audiência, popular, umbilical, espiritual, como meros detalhes. Sensação que “Foge-me o Controle” controla muitíssimo bem.

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