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Como a Netflix ganhou a guerra do streaming

Reinaldo Glioche

Netflix

Em meio ao anúncio de fusões entre estúdios e desaceleração de investimentos em conteúdos para streaming, a Netflix segue se valorizando e ditando o ritmo de um mercado que se revelou muito mais hostil do que os executivos imaginavam.

A guerra dos streamings acabou e a Netflix venceu. Como? Por antecipar desafios e enfrentá-los com serenidade, mesmo que isso a levasse a certo nível de contradição, como foi a adesão ao plano com anúncios. Nesse contexto, é preciso reconhecer a diligência da companhia ao assumir pautas espinhosas, como o cerceamento ao compartilhamento de senhas. Essa medida e o plano com publicidade são práticas hoje seguidas pelas concorrentes e que dão dimensão da liderança da empresa no mercado de streaming.

Outro indício é que Disney, Paramount e Warner Bros., que cessaram o licenciamento de conteúdo para a plataforma para privilegiar seus streamings voltaram a fazê-lo ao longo de 2023. A Paramount, por exemplo, liberou até mesmo sua série de maior sucesso, “Yellowstone” e a Warner se viu na contingência de licenciar inclusive séries da HBO como “Sex and the City” e “Six Feet Under”, o tipo de material exclusivo que antes era visto como inegociável.

Leia também: A ascensão dos canais FAST no cenário do streaming

Enquanto as concorrentes rebolam para mitigar prejuízos com a operação em streaming, a Netflix continua ganhando valor de mercado e investindo em tecnologia – em parte para ter mais autonomia e poder de alcance na vertente publicitária de sua operação.

Agora, a Netflix ensaia um avanço sobre as transmissões esportivas – o que deve inquietar ainda mais os rivais. Isso porque Amazon, Paramount, Disney e Warner já atuavam neste campo, mas a Netflix exibia desinteresse. A mudança de humor em relação aos esportes demonstra, não apenas o apelo do mesmo para a sustentação do streaming, que cavalga a passos largos para achatar ainda mais a TV, mas a comodidade que a empresa experimenta no setor.

Dando sequência à antecipação de desafios, a Netflix sabe que se aproxima do teto de assinantes globais e enxerga nas transmissões esportivas uma forma de fidelizar assinantes para além do lançamentos de temporadas de séries hits. Repare que neste departamento as temporadas agora são divididas em duas, três e até quatro partes para coibir cancelamentos a jato após uma maratona. O 3º ano de “Bridgterton” e o último de “Cobra Kai” são exemplos.

A capacidade de gerir riscos e navegar em um mercado hostil sem dobrar-se a seus caprichos legou à Netflix uma posição de influência raramente vista em Hollywood. É possível afirmar que seu impacto hoje é maior do que quando deflagrou a própria guerra do streaming. Algo que parecia impensável quando a Disney comprou a Fox em 2017 para inflar seu catálogo e esvaziar as possibilidades de licenciamento da rival.

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