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“Cartório das Almas” é ficção científica que busca sentidos

Reinaldo Glioche

Enquanto uns polemizam nas redes sociais, o cinema brasileiro segue pulsante e provocativo. Exemplo é a ficção científica brasiliense “Cartório das Almas”, de Leo Bello, que recentemente conquistou o coração do público na Competitiva Nacional do 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, recebendo o troféu de melhor longa-metragem pelo Júri Popular. Além disso, a produção foi reconhecida pelos Candangos de melhor edição de som (Olivia Hernandez) e melhor direção de arte (Maíra Carvalho).

Cartório das Almas
Fotos: Divulgação

O filme se desenrola em um mundo onde os banhos de rejuvenescimento oferecem uma forma de prolongar a vida humana. Contudo, aqueles que optam por não envelhecer enfrentam a perda de memórias e da capacidade de sentir. A trama provoca reflexões sobre os estudos “expansionistas de vida”, questionando poeticamente se vale a pena viver a qualquer custo.

A protagonista, Laura, uma jovem de 126 anos, assume um papel peculiar no Cartório das Almas, onde recebe pessoas que desistiram da vida para conduzi-las à “transmutação”. Protocolando sem julgamentos as motivações daqueles que abriram mão do rejuvenescimento, Laura “notariza” o fim dos ciclos alheios. No entanto, por contrato, ela mesma não pode interromper sua tediosa existência. Gradualmente, desenvolve vínculos com aqueles que passam por lá.

A trama central de “Cartório das Almas” segue a jornada da personagem Laura, uma jovem centenária solitária, incerta sobre suas memórias, impelida a tomar banhos especiais para manter sua juventude e alcançar uma estranha longevidade.

O filme, inspirado na experiência traumática do diretor Leo Bello durante os últimos momentos de seu avô, mergulha nas complexidades de decidir sobre a vida e a morte. Ao apresentar Laura, que decide interromper seu rejuvenescimento para retomar o controle de sua vida e voltar a sentir, a narrativa aborda questões profundas sobre a dignidade na morte.

Em “Cartório das Almas”, Leo Bello encontra uma forma reflexiva de lidar com o tema, separando-se do adolescente traumatizado para explorar, como um adulto, os significados da vida e da morte. O filme se torna, assim, uma jornada poética em busca de sentidos, refletindo sobre a mortalidade e a importância de atribuir um significado digno à vida. Estreia comercialmente nos cinemas em 2024.

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