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Arte urbana é foco do documentário “Pele”

“Pele”, que chega aos cinemas brasileiros em 26 de outubro, combina poesia e política de maneira provocadora e bela

Redação Culturize-se

O documentário “Pele,” dirigido por Marcos Pimentel e com distribuição da Embaúba Filmes, traz as cidades como figuras centrais em sua narrativa, destacando a vibrante paleta de cores e a arte urbana. O filme está programado para estrear nos cinemas do País em 26 de outubro.

Segundo o cineasta, o filme surgiu de seu interesse pela experiência de viver em cidades superpovoadas, repletas de pessoas, conflitos e contradições, presentes no Brasil e na América Latina. Ele também se inspirou pela pulsante arte urbana encontrada nessas localidades. “Eu sempre gostei de caminhar pelas cidades prestando atenção no que está presente nos muros, paredes e estruturas de concreto. Incontáveis grafites, pichações, publicidades, letras, declarações de amor, palavras de ordem, hieróglifos, mensagens políticas, palavrões… É possível encontrar de tudo ali, numa caótica composição visual que diz muito do nosso tempo e dos lugares que habitamos.”

Pele
Foto: Divulgação

O filme foi gravado em 2019 em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, e capturar a vida nas ruas apresentou desafios e alegrias para a equipe. Pimentel ressalta a falta de controle ao filmar um documentário nas ruas, mas também a riqueza e o prazer desse ambiente para documentaristas. A espera por momentos espontâneos diante das obras de arte urbana era parte fundamental da produção.

Um aspecto interessante é que o filme não possui captação de som direto. Todo o áudio de “Pele” foi criado na pós-produção por Vitor Coroa, buscando reproduzir a experiência sonora da vida urbana e dos discursos presentes nas ruas do Brasil. A sonoridade do filme visa proporcionar uma experiência sensorial única da cidade.

Pimentel compara as intervenções artísticas nos muros e paredes das cidades a “gritos silenciosos” dos habitantes locais. Ele destaca que essas obras de arte contêm narrativas urgentes que refletem o tempo e o lugar onde vivemos. “Pele” aborda eventos e movimentos importantes da história recente do Brasil, tornando-se uma narrativa visual desses acontecimentos.

O filme não inclui entrevistas, narrador ou voz em off, sendo construído apenas a partir das imagens dos muros, das interações entre os habitantes da cidade e das intervenções artísticas urbanas. Justamente por isso, a montagem desempenhou um papel fundamental na composição narrativa.

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“Pele” é uma obra que combina poesia e política em sua linguagem cinematográfica, mantendo uma conexão constante entre esses dois aspectos. Pimentel considera que este filme representa um avanço em sua carreira, buscando um equilíbrio entre elementos poéticos e discursos políticos, criando uma experiência sensorial e política pelas ruas das cidades.

O documentário dialoga com outras obras de Pimentel, como “Polis”, “Urbe” e “Taba”, ao mesmo tempo que mantém a observação contemplativa presente em seus filmes anteriores, como “Sopro”, “A Parte do Mundo Que Me Pertence” e “A Arquitetura do Corpo.”

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