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Veneza começa sob sombra das greves em Hollywood e aposta em cineastas de pedigree

Redação Culturize-se

Há grande expectativa pela 80ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que acontece entre 30 de agosto e 9 de setembro, e terá cobertura in loco de Culturize-se. Em meio às greves dos roteiristas e atores que abala Hollywood, o evento preparou uma seleção fortíssima com diretores midiáticos e de prestigio como Sofia Coppola, David Fincher, Wes Anderson, Woody Allen, Roman Polanski, Luc Besson e Bradley Cooper. Muitos deles na competição pelo Leão de Ouro.

Festival de Veneza
Fotos: Divulgação

Devido a acordos entre estúdios independentes e o SAG-AFTRA, o sindicato dos atores, alguns astros poderão comparecer ao evento para promover seus filmes. É o caso de Adam Driver e Penelope Cruz de “Ferrari”, novo longa de Michael Mann. Mads Mikklensen, Olga Kurylenko, Lily James, Willen Dafoe, Rachel Sennott e Liam Neeson são outros beneficiários desse acerto que podem aparecer – embora não seja certo que irão – ao evento.

Mais do que a expectativa pelos filmes, neste momento prepondera a curiosidade por como será o evento sem a força midiática do tapete vermelho e as coletivas estreladas. Bradley Cooper, por exemplo, que atua e dirige “Maestro”, da Netflix, já avisou que não comparecerá em Veneza.

O diretor do evento, Alberto Barbera já se manifestou a respeito no sentido de que as greves afetam, claro, mas não irão prejudicar o festival que entende estar “muito forte”, embora “haja menos filmes íntimos do que nos últimos anos, quando muitos deles estavam focados em casais, relacionamentos, famílias ou coisas desse tipo”. Para ele “existem muitos mais temas sociais que lidam com questões contemporâneas relevantes, desde imigração ilegal até mudanças climáticas e guerras. O problema da transsexualidade ou fluidez sexual, que está muito no centro das atenções hoje, está muito presente nesta edição”.

Seleção brasileira

Inicialmente um curta exibido em 2014 no festival, “Sem Coração”, de Nara Normande e Tião volta a Veneza como um longa-metragem na mostra Horizontes, a segunda em importância.

Na trama do longa, que se passa no verão de 1996, Tamara (Maya de Vicq) aproveita suas últimas semanas na vila pesqueira onde mora, em Alagoas, antes de partir para estudar em Brasília. Ao ouvir falar de uma adolescente apelidada de “Sem Coração” por causa de uma cicatriz que tem no peito, ela passa a sentir uma atração crescente por essa menina misteriosa. 

Já “Queer Utopia: Act I Cruising” é um curta de 25 minutos apresentado em experiência VR, ou seja, realidade virtual. Parte da “Venice Immersive”, seção do festival focada neste novo tipo de narrativa, a obra conta a história de Gabriel, um homem queer de 70 anos que está perdendo a memória. Durante uma viagem de reconstrução e ressignificação, o espectador revisita diversos momentos importantes na vida do protagonista e sua passagem por marcos geracionais da cultura queer que jamais podem ser esquecidos ou apagados.

“Finalmente Eu” é um curta de 14 minutos que também faz parte da seção “Venice Immersive” do festival. Conhecido pelo seu trabalho como diretor de arte no longa-metragem “Luz, Anima, Ação” (2013) e nos curtas “Cine Metro” (2021) e “Olteanca” (2016), Marcio Sal apresenta uma visão estética e expertise virtual impressionantes. Em “Finalmente eu”, somos levados em uma sessão imersiva de um músico reprimido que, entrando em um clima carnavalesco, aprende a se libertar.

Fora de competição

Muitas cineastas de pedigree estão na seleção dos longas que estreiam em Veneza fora de competição. O destaque maior recai sobre as escolhas polêmicas, mas consistentemente defendidas por Barbera, de Woody Allen (“Coup de Chance”) e Roman Polanski (“The Palace”) –  há ainda Luc Besson na competição oficial. Mas há Richard Linklater com seu “Hit Man”, J.A Bayona (“Society of Snow”), Harmony Korine (“Aggro Dr1ft”) e William Friedkin (“The Caine Mutiny Court-Martial), que morreu recentemente.

Competição oficial

  • “Bastarden” de Nikolaj Arcel
  • “Dogman”, de Luc Besson
  • “La Bête”, de Bertrand Bonello
  • “Hors-Saison”, de Stéphane Brizé
  • “Enea”, de Pietro Castellitto
  • “Maestro”, de Bradley Cooper
  • “Priscilla”, de Sofia Coppola
  • “Finalmente L’Alba”, de Saverio Costanzo
  • “Comandante”, de Edoardo De Angelis
  • “Lubo”, de Giorgio Diritti
  • “Origin”, de Ava DuVernay
  • “The Killer”, de David Fincher
  • “Memory”, de Michel Franco
  • “Io Capitano”, de Matteo Garrone
  • “Aku Wa Sonzai Shinar”, de Ryusuke Hamaguchi
  • “Zielona Granica”, de Agnieszka Holland
  • “Die Theorie Von Allem”, de Timm Kröger
  • “Pobres Criaturas”, de Yorgos Lanthimos
  • “El Conde”, de Pablo Larraín
  • “Ferrari”, de Michael Mann
  • “Adagio”, de Stefano Solima
  • “Kobieta Z…”, de Malgorzata Szumowska & Michal Englert
  • “Holly”, de Fien Troch

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