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Business em foco: Safra de filmes foca na disrupção corporativa

Reinaldo Glioche

Filmes sobre o american dream, sobre empresas surgindo – ou quebrando – e o self made man são um subgênero de prestígio em Hollywood, mas uma inusitada sinergia fez de 2023 um ano particularmente feliz para ele. Muitos têm classificado o fenômeno como o ‘ano dos filmes sobre coisas’, mas este é um viés pejorativo, embora um celular, um tênis, um jogo, um bicho de pelúcia e um salgadinho cheetos estejam no centro da ação aqui.

Os primeiros meses de 2023 trouxeram filmes, uns ótimos, alguns fracos e outros no alarmante meio-termo, que focam na disrupção corporativa. O marketing está no centro da ação em “Air”, filme de Ben Affleck que mostra como a Nike mudou de patamar com o tênis desenvolvido para Michael Jordan, e as minúcias que separam um ótimo negócio de uma bomba estão por toda a parte em “Blackberry” (ainda inédito no Brasil), sobre o celular que precedeu o iPhone e depois foi defenestrado pela criação da Apple.

A Apple, aliás, responsável por dois filmes sobre o engenho criativo e as pressões inerentes à aventura de empreender. “Tetris” e “The Beanie Bubble”, o primeiro sobre as circunstâncias da criação e comercialização do jogo homônimo, e o segundo sobre a ascensão e queda de um império de pelúcias nos EUA dos anos 90, são diferentes na abordagem e estrutura, mas flagram essa faísca criativa tão rara e paradigmática e observam como fica o castelo de cartas depois disso.

Mais fraco de todos, embora o menos pretensioso também, “Flamin Hot: O Sabor que Mudou a História” narra as circunstâncias da criação dos salgadinhos apimentados, mas o faz como uma crônica sobre imigração. O longa é assinado por Eva Langoria, mais conhecida por seu papel na série “Desperate Housewives”.

Coincidência… bem-vinda?

É claro que trata-se apenas de uma coincidência esse atropelamento de filmes com foco na criação de empresas ou de projetos que mudem radicalmente a história de companhias, mas é interessante observar essa janela para a alma de uma indústria – Hollywood – que vive também um ano cheio de incertezas, em meio a greves, fracassos de bilheteria e estafa de propriedades intelectuais como Marvel e DC que reinaram nos últimos anos.

A disrupção corporativa, no contexto de Hollywood, também se deu em 2023, ainda que por acidente, com Barbenheimer. A ver se o que se seguirá será mais afeito a “Air” ou a “Blackberry”.

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