Search
Close this search box.

“Ted Lasso” tem temporada instável, mas se redime no final

Mesmo sem entregar o mesmo nível dos anos anteriores, “Ted Lasso” confia em seu potencial para emocionar e traz um final feliz digno ao que se propôs

Por Gabriela Mendonça

“Altos e baixos” é a melhor forma de descrever a terceira e última (?) temporada de “Ted Lasso”, que chegou ao final nesta quarta-feira (31). Ao mesmo tempo em que apresentou alguns de seus melhores episódios, como “Girassóis” no meio da temporada e “Mãe City” perto do final, também arrastou histórias e se perdeu nos longos capítulos, que nessa última leva chegaram a superar uma hora de duração. 

Divulgação/Apple TV

Desde a estreia, Jason Sudeikis, um dos criadores e protagonista, já havia afirmado que esse seria o último campeonato disputado pelo AFC Richmond na televisão, portanto havia grande expectativa para concluir a história dos personagens, e assim a série o fez. 

Com 12 episódios, um dos destaques foi o desenvolvimento dos jogadores, antes coadjuvantes, e que agora ganharam seu espaço, especialmente Colin (Billy Harris). Mas suas histórias nem sempre foram bem amarradas e alguns arcos foram deixados de lado assim que o episódio chegava ao fim. 

Em compensação, os personagens principais acabaram sofrendo com a falta de evolução, o principal deles o protagonista. Ted Lasso (Sudeikis) chamou atenção lá em 2020 quando estreou justamente por seu otimismo contagiante que, em um período onde o mundo passava por um pessimismo coletivo, acabou por trazer um conforto para quem tinha que ficar isolado em casa. 

Na temporada seguinte, o personagem passa por algumas transformações que, embora tenham sido criticadas por fãs da série, fizeram muito para que Ted se tornasse multidimensional. Ele é sim um homem que transmite positividade e sempre vê o copo meio cheio, mas para isso, guarda suas angústias até que não caibam mais em si mesmo. 

Divulgação/Apple TV

Afinal, foi a ruína, no caso, o fim de seu casamento, que levou esse treinador sem nenhum conhecimento de futebol a treinar um time pequeno na Inglaterra. Na terceira temporada, porém, ele perde um pouco de emoção e é deixado de lado. 

Talvez isso seja intencional, para anunciar um possível spin-off focado no time agora (spoilers) sem seu treinador, que decide voltar para os EUA e ficar próximo do filho. Mas acaba prejudicando a narrativa, especialmente em relação ao principal conflito que havia ficado em aberto no final da temporada anterior: o antagonismo de seu protegido Nate (Nick Mohammed). 

Houve sim uma tentativa de conduzir o personagem que foi de bonzinho para malvadão mas, como toda a série, teve altos e baixos em sua construção, e culminou em um desfecho simples. Foi bonito ver o pedido final de desculpas e a redenção do personagem, mas faltou aquela mágica de Ted Lasso, capaz de tornar uma cena normal em um momento emocionante. 

Ninguém, porém, sofreu mais com a falta de desenvolvimento do que Keeley Jones (Juno Temple). A distância da personagem para o resto do elenco faz pensar se houve algum conflito de agendas e Temple não pôde estar presente com o resto da equipe, porque ela foi completamente afastada da história e os escritores simplesmente não souberam o que fazer com ela. 

Divulgação/Apple TV

O triângulo amoroso pré-estabelecido serviu apenas as outras duas partes e um romance inesperado veio e se foi sem nenhuma repercussão. Aliás, dos 12 episódios, pelo menos uns quatro parecem descartáveis, incluindo todo o arco com o novo jogador estrela do time, Zava (Maximilian Osinski). A temporada poderia ter começado no quinto episódio, e teríamos perdido muito pouco. 

Em contrapartida, quem brilhou foi o Jamie Tartt de Phil Dunster. O jogador começa a série como uma estrela arrogante do futebol que Lasso está investido em tornar parte da equipe. Com Tartt, a série foi cuidadosa ao desenvolver essa transição e, desde o primeiro ano, mostra o “efeito Lasso” o tornando uma pessoa melhor. 

Seu passado, que explica porque ele é como é, incluindo os problemas com o pai, espelham o de Ted. Não à toa, em “Mãe Lasso” conhecemos as mães de ambos e, indicando que Jamie também tem algo a ensinar, ele inspira Ted a ter uma conversa profunda com sua mãe. 

Mesmo com um começo fraco, que pode ter feito muitas pessoas desistirem de seguir acompanhando a temporada, “Ted Lasso” consegue se redimir. Quase na metade, a série volta a crescer e apresenta um final digno do que se propôs desde a estreia: emotivo, esperançoso, engraçado e fiel à história. 

Divulgação/Apple TV

Embora Rebecca tenha entrado na lista de personagens pouco aproveitados esse ano, Hannah Waddingham continua sendo um fenômeno e seu desfecho feliz é mais do que merecido. Em Ted, ela encontrou uma amizade que não sabia que precisava, ou merecia e, depois de anos infelizes à sombra de Rupert (Anthony Head), finalmente percebe que não tem nada a provar. 

“Até mais, Adeus” não tem a pretensão de reinventar a roda de um final de série, mas sim de oferecer um final feliz condizente com que “Ted Lasso” sempre almejou. E reforça o sentimento que fez da série um sucesso, aquele “quentinho no coração” que permanece mesmo com a tristeza da despedida.

Deixe um comentário

Posts Recentes