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Brasileira Fernanda Figueiredo expõe na Bienal de Arte Industrial na Croácia

Redação Culturize-se

A artista brasileira Fernanda Figueiredo está entre os participantes da 4ª Bienal de Arte Industrial, que está acontecendo na Croácia até 30 de junho. O tema do evento é “Landscapes of Desire” (Paisagens do Desejo, em tradução livre) e convidou artistas de todo o mundo para refletir sobre os efeitos da Revolução Industrial na arte e na sociedade local.

Fernanda Figueiredo, que atualmente reside em Berlim, realizou uma imersão nas pequenas cidades de Rasa, Labin, Pula e Rijeka, que sediam a Bienal, a fim de criar suas obras para o evento. Ela coletou referências nos quatro locais, incluindo prédios de arquitetura modernista, cartazes antigos de publicidade, grafites e a vegetação regional, que serviram como base para suas pinturas na série intitulada “Barbaric Protopia” (Protopia Bárbara).

A artista Fernanda Figueiredo | Foto: OMA Galeria

Apesar da distância geográfica entre o Brasil e a Croácia, a artista identifica paralelos entre os dois países, especialmente em relação ao significado que a arquitetura modernista teve no passado. Assim como a arquitetura modernista no Brasil, o projeto da antiga Iugoslávia Socialista (da qual a Croácia fez parte até o início dos anos 90) era um projeto utópico, em que a arquitetura desempenhava um papel fundamental na busca por um futuro melhor para a sociedade. A arquitetura refletia essa visão de futuro, enquanto as intervenções humanas revelavam as condições atuais.

Muitas dessas construções modernistas estão hoje abandonadas, contrastando com a utopia futurista que um dia representaram e o ressurgimento de correntes autoritárias e nacionalistas no presente. No entanto, o trabalho de Fernanda Figueiredo deixa espaço para o otimismo: uma “protopia” não pressupõe um futuro perfeito ou catastrófico, mas busca um amanhã que seja pelo menos um pouco melhor do que o presente.

Além de participar da Bienal na Croácia, a artista também realizará uma exposição no Brasil em junho deste ano, na OMA, galeria que a representa. Fernanda Figueiredo é a única brasileira a participar da Bienal na Croácia e se junta a um grupo de artistas brasileiros que têm conquistado destaque em eventos de arte internacionais. Um exemplo é Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, que recentemente foi anunciado como curador da próxima Bienal de Veneza. Isabella Rjeille, também do MASP, foi convidada para curar a 6ª edição da Trienal do New Museum, em Nova York, juntamente com Vivian Crockett, curadora da instituição.

Pintura da série “Barbaric Protopia” | Foto: OMA Galeria

Fernanda em foco

A artista trabalha principalmente com pinturas, investigando a formação da identidade nacional brasileira. Ela estuda como os artistas modernistas brasileiros do século XX enxergaram o Modernismo Europeu como um símbolo de progresso, utilizando-o como referência para criar uma nova identidade cultural para um Brasil que buscava desenvolvimento e felicidade. A artista confronta esse projeto com o contexto político atual, marcado pelo surgimento da extrema-direita nos últimos tempos. Fernanda Figueiredo já participou de salões como o SARP em Ribeirão Preto e o Salão de Abril em Fortaleza, além de ter exposto em instituições como o MAM – Rio de Janeiro e MAM – Bahia, Kunsthaus Kannen em Münster, Galerie im Körnerpark e Kunstquartier Bethanien em Berlim. Ela recebeu diversos prêmios, incluindo o Prêmio Rede Nacional FUNARTE de Artes Visuais, o Goldrausch Künstlerinnenprojekt Stipendium do Berliner Senat e a bolsa Jakob und Emma Windler Stiftung para uma residência artística na Suíça em 2021.

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