Redação Culturize-se
O WhatsApp deixou de ser apenas um aplicativo de mensagens para se consolidar como um dos principais canais de vendas digitais no Brasil. Uma pesquisa divulgada pela própria plataforma indica que 73,3% dos usuários preferem iniciar contato com empresas por mensagens em vez de utilizar outros meios de comunicação, como telefone, e-mail ou sites. O dado reflete uma transformação mais ampla no comportamento do consumidor, que passa a privilegiar interações rápidas, diretas e centralizadas em um único ambiente.
O levantamento mostra ainda que os canais tradicionais enfrentam crescente rejeição. Para 69% dos entrevistados, esperar em linhas telefônicas é considerado “uma perda de tempo e extremamente frustrante”, enquanto 71% afirmam preferir mensagens a ligações. A percepção de praticidade também é determinante: 79,8% veem o envio de mensagens como forma mais ágil de comunicação com empresas, e 72,7% consideram esse formato mais simples do que o e-mail.
A mudança atinge diretamente o comportamento de compra. Segundo a pesquisa, 64% dos adultos online preferem realizar compras por mensagens em vez de visitar lojas físicas, indicando uma migração progressiva do consumo para ambientes digitais conversacionais.
Esse movimento está relacionado à expansão do chamado comércio conversacional, modelo no qual toda a jornada de compra ocorre dentro de aplicativos de mensagens. “O comércio conversacional consiste na utilização de plataformas de mensagens para interagir com os clientes ao longo de toda a sua jornada de compra”, explica Alberto Filho, CEO da Poli Digital, empresa que desenvolve soluções de automação e gestão de conversas comerciais.
Na prática, o modelo elimina etapas intermediárias do funil de vendas. Em vez de redirecionar o consumidor para sites ou formulários, anúncios passam a abrir diretamente uma conversa no WhatsApp. O formato, conhecido como Click-to-WhatsApp, vem ganhando espaço no mercado publicitário brasileiro, especialmente por sua capacidade de reduzir atritos na jornada de compra.

A lógica também altera a dinâmica da publicidade digital. Em cenários otimizados, campanhas conseguem operar com custo por mil impressões (CPM) inferior a R$ 10, especialmente quando há segmentação eficiente e integração com ferramentas da Meta. Isso permite que empresas ampliem o alcance de suas campanhas e conduzam o consumidor diretamente ao atendimento.
Segundo especialistas do setor, o avanço desse modelo exige uma reestruturação operacional. O aumento no volume de mensagens torna essencial a organização do atendimento, o rastreamento de origens e a mensuração de resultados. “Não é só conversar com o cliente, é estruturar essa operação com dados”, afirma Alberto Filho.
O WhatsApp, presente em 99% dos smartphones brasileiros, já integra a rotina digital da população. Dados da Opinion Box indicam que 97% dos usuários acessam o aplicativo diariamente e que as mensagens podem atingir taxas de abertura próximas de 98%, superiores às de e-mails e outros canais digitais.
Apesar da adesão crescente, o canal apresenta desafios. A pesquisa aponta que 59% dos usuários não apreciam respostas automáticas, enquanto 51% aceitam publicidade desde que autorizada. Questões de segurança também se destacam: quase metade dos usuários adota autenticação em dois fatores e realiza backups frequentes.
Mesmo com a incorporação de novas funcionalidades, o uso do aplicativo segue concentrado na comunicação direta. Ainda assim, o avanço do comércio conversacional indica uma mudança estrutural mais profunda no ambiente digital, em que a conversa passa a ocupar o centro da estratégia de vendas e aquisição de clientes.