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Uma livraria de rua em Higienópolis aposta no encontro entre livros, psicanálise e cidade

Redação Culturize-se

Os moradores de Higienópolis, na zona oeste de São Paulo, tem uma nova e inusitada opção de atividade cultural. A livraria Espelho, inaugurada em abril, parte de uma proposta curiosa que é focar na psicanálise.

À primeira vista, trata-se de mais uma abertura no circuito cultural da cidade. Mas, para sua idealizadora, a psicóloga e escritora Joana Biondi, o projeto é também a materialização de um desejo antigo, amadurecido ao longo de anos de pesquisa e experiência prática no universo editorial. Formada em Letras e autora de três livros, ela decidiu transformar uma aspiração pessoal em empreendimento cultural.

A localização não foi casual. Próxima a instituições como FAAP e Mackenzie e a espaços ligados à psicanálise, a livraria nasce em um território já marcado por circulação intelectual. A proposta, no entanto, vai além da venda de livros: a ideia é consolidar um espaço de permanência, leitura e troca. Estantes altas cobrem as paredes, enquanto mesas, poltronas e um café convidam o público a ficar. No centro, uma mesa exibe destaques editoriais e, ao fundo, uma seção infantil divide espaço com áreas dedicadas à convivência.

O nome da livraria sintetiza uma das chaves conceituais do projeto. O espelho, segundo Joana, carrega uma dimensão simbólica ligada ao ato de leitura: assim como a superfície refletora devolve uma imagem, o livro projeta e recebe o leitor em um processo de espelhamento subjetivo. A ideia dialoga diretamente com a psicanálise, área que terá curadoria especial dentro da programação e do acervo.

Foto: Reprodução/Youtube

Do ponto de vista editorial, a Livraria Espelho aposta em um catálogo amplo, que inclui ficção, não ficção, poesia, filosofia, teoria crítica, história e literatura infantil. A curadoria geral é assinada por Zilmara Pimentel, com coordenação de acervo psicanalítico de Paulo Bueno. A equipe também conta com consultoria de mercado editorial, reforçando a intenção de equilibrar projeto cultural e viabilidade comercial.

Mais do que uma livraria, o espaço pretende funcionar como polo de atividades culturais, com lançamentos, clubes de leitura, cursos e debates. A inauguração contou com uma conversa entre o psicanalista Christian Dunker e a crítica literária Yudith Rosenbaum, sinalizando o tipo de programação que deve ocupar o local.

Em um momento em que livrarias de rua enfrentam desafios econômicos e competição digital, a abertura é também um gesto político e cultural. A livraria, nesse sentido, se apresenta como aposta na permanência do espaço físico como lugar de convivência intelectual — uma “floresta de saberes”, como definiu sua fundadora em entrevista ao Estadão.

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