Redação Culturize-se
Com a COP30 em curso, a cidade de Belém (PA), com investimentos na ordem de R$ 4,5 bilhões voltados à construção e melhoria de sua infraestrutura urbana. Os valores financiam obras emblemáticas como o complexo Porto Futuro, à margem do Rio Guamá, e a Nova Doca, apontadas como vitrines da cidade para o evento global.
No conjunto de obras, destacam-se o Museu das Amazônias, a CAIXA Cultural Belém, o Armazém da Gastronomia, o Parque da Bioeconomia e o revitalizado porto turístico. A CAIXA Cultural Belém foi inaugurada no início de outubro e marca a estreia da instituição na região Norte. Instalado no Porto Futuro II, no complexo Estação das Docas, o espaço reúne teatro para 280 pessoas, três galerias de arte e salas de oficinas, já tendo atendido mais de 50 mil visitantes em poucas semanas.
A abertura da instituição foi simbolizada pelas exposições “Espíritos da Floresta: MAHKU” e “Paisagem em Suspensão”. A primeira, patrocinada pela Caixa Econômica Federal e pelo Governo Federal, reúne cerca de 30 obras inéditas do coletivo indígena huni kuin — entre eles Acelino Sales Tuin, Bane Huni Kuin e Ibã Sales Huni Kuin — que, sob o lema “vende tela, compra terra”, convertem a venda de arte em aquisição de áreas e preservação da floresta amazônica. Ainda segundo a curadora Aline Ambrósio, a mostra inaugura “uma voz direta da floresta” no contexto do debate climático.
O cenário de obras em Belém entra em sintonia com a cobertura internacional da COP30. A cidade tenta se reinventar como destino de eventos globais, priorizando parques, museus e hotéis para receber expectativas de até 45 000 participantes. O complexo Porto Futuro e a Nova Doca assumem, assim, papel estratégico: além da revitalização urbana, acionam uma narrativa simbólica para a conferência — a de que a Amazônia e a cultura local ocupam lugar central no debate climático.
À medida que Belém assume oficialmente a condição de “capital brasileira do clima” durante a COP30, as entregas inauguradas reforçam a meta de legado urbano e de visibilidade internacional. Projetos de museus, cultura, turismo e bioeconomia convergem para transformar o evento em uma vitrine permanente da região Norte e não apenas um marco pontual na agenda ambiental.