Redação Culturize-se
O sushi já deixou de ser novidade no Brasil e hoje integra com naturalidade mesas de restaurantes finos, rodízios e aplicativos de delivery. A celebração oficial da iguaria no país ocorre em 1º de novembro. A data, conhecida como Dia do Sushi no Brasil, foi estabelecida pela Federação Nacional das Associações do Sushi do Japão e é praticada por restaurantes e associações gastronômicas como forma de promover a cultura japonesa e incentivar o consumo
A popularidade do prato no Brasil se consolidou especialmente nas últimas décadas e ganhou novo impulso com a expansão dos serviços de entrega. Segundo levantamentos do setor e dados compilados por plataformas de delivery, o sushi responde por milhões de pedidos mensais. Esses números explicam por que cadeias, pequenos restaurantes e dark kitchens investem cada vez mais em cardápios japoneses.
O mapa do consumo, no entanto, é desigual. A liderança pertence a São Paulo, que concentra a maior fatia do mercado e aparece à frente tanto em número de pedidos quanto em oferta de casas especializadas. Entre janeiro e setembro (dados recentes compilados por plataformas como iFood e Rappi), São Paulo liderou com folga, respondendo por parcela expressiva dos pedidos nacionais, seguido por estados como Rio de Janeiro e por capitais do Sul em que a culinária japonesa também é muito consumida.
Além do consumo, o mercado brasileiro vem se profissionalizando. Relatórios do setor apontam milhares de estabelecimentos dedicados à culinária japonesa e um faturamento bilionário anual que reúne rodízios, restaurantes à la carte e vendas por aplicativo; reflexo tanto da demanda quanto do investimento em logística e cadeia de frio para peixes como o salmão (grande parte importada do Chile).

O que diferencia o “sushi brasileiro” do original japonês é, em grande parte, a adaptação ao paladar e ao contexto local. Enquanto o Japão privilegia técnicas e cortes que valorizam a simplicidade do pescado e a sazonalidade, no Brasil proliferaram criações de fusão: o hot roll (rolinho empanado e frito, comumente recheado com salmão e cream cheese), combinações com frutas tropicais, molhos à base de maionese e tarê, além de versões vegetarianas e sobremesas inspiradas no formato do sushi. O hot roll, embora celebrado por aqui, tem origem ocidental e tornou-se popular no Brasil como porta de entrada para quem evita peixe cru — um exemplo claro de hibridização culinária.
Se por um lado a criatividade amplia o acesso e diversifica a clientela, por outro, tensiona a discussão sobre autenticidade e segurança alimentar, especialmente quando se trata de manipulação e conservação de alimentos crus. Fato é que o mercado cresce e os hábitos dos brasileiros continuam a incorporar, reinventar e celebrar o sushi.