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Sp-Arte 2025 amplia presença do design e aposta em colecionadores estrangeiros

Redação Culturize-se

A SP-Arte 2025, a maior feira de arte do Brasil, chega à sua 21ª edição no Pavilhão do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, reafirmando sua posição como um dos principais eventos do setor na América Latina. O evento acontece até domingo (6) e apresenta um panorama diversificado da produção artística contemporânea, com a participação de galerias, estúdios de design, instituições culturais e editoras.

Neste ano, a feira marca o retorno expressivo de colecionadores estrangeiros, refletindo o reaquecimento do mercado pós-pandemia. Com mais de 200 expositores, cada galeria busca apresentar estratégias inovadoras para atrair a atenção do público e dos compradores. A Galatea, por exemplo, desenvolveu uma expografia assinada por Lucas Jimeno Dualde que simula um ambiente doméstico, criando um diálogo entre obras de Allan Weber, Carolina Cordeiro, Lygia Pape e Rubem Valentim. A obra Cat nº 9, de Francis Alÿs, chama atenção ao questionar os limites entre cópia e originalidade.

A galeria Flexa, estreante na feira, aposta em um recorte exclusivo de obras de artistas mulheres, reunindo nomes como Yayoi Kusama, Judith Lauand, Sonia Gomes, Adriana Varejão e Tadáskía. Outra novidade é a Yehudi Hollander-Pappi, galeria paulista que destaca nomes emergentes da performance e da instalação ao lado de artistas consagrados, como Bruce Nauman.

O design também ganha espaço de destaque, com um aumento no número de expositores dedicados ao setor. O LABINAC, fundado por Maria Thereza Alves e Jimmie Durham, ocupa o estande da Martins & Montero com obras que transitam entre escultura e mobiliário. A galeria também apresenta uma série de fotografias inéditas de Dalton Paula, artista que investiga a representação de corpos negros na diáspora africana.

Obra em destaque na SP-Arte 2025 | Fotos: Divulgação

Entre os debates promovidos pelo evento, destacam-se “On Supporting Emerging Artists” (Sobre apoiar artistas emergentes) e “Incontornáveis”, com Antonio Manuel e Ana Maria Maia. O evento também coincide com importantes exposições pela cidade, incluindo uma homenagem ao artista Pedro Moraleida Bernardes e uma mostra comparativa entre Hélio Oiticica e Waldemar Cordeiro.

Outros destaques

A WG Galeria faz sua estreia na SP-Arte com uma curadoria que reflete a diversidade brasileira. Seu estande trará obras de 11 artistas de diferentes estados e um convidado internacional, abordando temas como a diáspora africana, o meio ambiente e a questão do corpo feminino. A galeria aposta em uma expografia inovadora, utilizando a expertise em arquitetura para criar um espaço imersivo. Entre os artistas apresentados está Poliana Toussaint de Melo, que exibe uma série de trabalhos têxteis desenvolvidos ao longo de três anos na França. Outro destaque é Leandro Machado, cuja obra já foi publicada pelo renomado crítico Paulo Herkenhoff.

O diálogo entre arte e design também se fortalece com a parceria entre a +55design e Vik Muniz. Pela primeira vez, o artista plástico desenvolve um projeto de design de mobiliário, trazendo sua abordagem experimental para a coleção “Arquétipos”. Inspirado em miniaturas de casas de boneca e em sua infância com a avó costureira, Muniz criou peças que desafiam a percepção tradicional de escala e materialidade. Com sete peças exclusivas, a coleção inclui sofás, poltronas e mesas com proporções exageradas, detalhes feitos à mão e texturas exploradas com o auxílio de inteligência artificial. Elementos como linho, madeira maciça e lã artesanal reforçam o compromisso da marca com a produção nacional.

A Zipper Galeria reafirma sua abordagem ampla e dinâmica com dois estandes na feira, um dedicado a artistas contemporâneos e outro a obras de acervos e coleções privadas. O primeiro inclui nomes como Ivan Grilo, Janaina Mello Landini, Flávia Junqueira e Camille Kachani, explorando temas como identidade, espaço e cultura. No segundo estande, a galeria apresenta trabalhos de Geraldo de Barros, Leonilson, Mira Schendel e Cruz Diéz, promovendo um diálogo entre diferentes momentos da arte brasileira.

A Choque Cultural celebra vinte anos de participação na SP-Arte com uma programação especial. Além da exibição de obras de Adam Neate, Alê Jordão, Bijari e outros, a galeria promove bate-papos e sessões de autógrafos. O evento inclui lançamentos de livros de Daniel Melim e Narcélio Grud, além de uma colagem coletiva de lambe-lambes. Com um DNA colaborativo, a Choque Cultural reforça seu compromisso com a arte coletiva e experimental.

A Galeria Frente celebra uma década de atuação com uma exposição de mestres consagrados da arte brasileira. O estande inclui obras de Candido Portinari, Eleonore Koch, Burle Marx, Mira Schendel, Tomie Ohtake e Rubem Valentim, traçando um panorama das vanguardas modernistas. Também há espaço para a contemporaneidade, com Beatriz Milhazes, Tunga e Bordalo II, além de artistas como Frans Krajcberg e Jaider Esbell, que dialogam com questões ambientais e indígenas.

O artista Daniel Melim

A Galeria Marilia Razuk traz uma seleção criteriosa de artistas contemporâneos, com destaque para Seba Calfuqueo, artista de origem mapuche que participou da Bienal de Veneza. Calfuqueo explora questões de identidade e resistência através de sua obra. Outro destaque é José Leonilson, representante da Geração 80 e conhecido por sua abordagem autobiográfica e sensível. A artista Maria Andrade também integra a seleção da galeria, com obras que exploram os limites entre o abstrato e o figurativo.

Com uma programação rica e diversa, a SP-Arte 2025 se consolida como um espaço essencial para a valorização da arte e do design, promovendo o diálogo entre artistas, colecionadores e apreciadores da arte.

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