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Erich Fromm ganha obra inédita no Brasil com reflexões sobre autenticidade na era do consumo

Redação Culturize-se

O psicanalista humanista Erich Fromm (1900-1980) continua a influenciar novas gerações com o lançamento de “A Arte de Ser”, obra inédita no Brasil que chega às livrarias pela editora Paidós. O livro reúne manuscritos originais excluídos de seu clássico “Ter ou Ser?” (1976), oferecendo um olhar atualíssimo sobre os dilemas da vida moderna.

Entre 1974 e 1976, enquanto finalizava “Ter ou Ser?”, Fromm produziu diversos textos complementares que não foram incluídos na versão final da obra. Esses escritos, organizados postumamente por Rainer Funk, revelam um Fromm mais pessoal e prático, com exercícios de autoanálise inspirados na psicanálise, críticas contundentes às soluções superficiais para preencher vazios existenciais e métodos concretos para desenvolver empatia e criatividade.

A obra amplia a conhecida tese de Fromm sobre os dois modos de existência: o “Ter” (baseado na acumulação de bens, likes e status) e o “Ser” (orientado por experiências significativas e autoconhecimento). Suas reflexões parecem prever desafios do século XXI, como a alienação digital e a crise de propósito, com observações que soam proféticas sobre redes sociais e a cultura da produtividade tóxica.

Mais do que teoria, “A Arte de Ser” oferece ferramentas práticas para uma vida mais autêntica: sugere manter um “Diário da Autenticidade” para registrar momentos de genuína conexão, propõe períodos de “jejum Ddgital” para resgatar a atenção plena e recomenda práticas de “anticonsumo” que valorizem a criação sobre a compra.

A atualidade do pensador alemão – que fugiu do nazismo em 1934 e se tornou crítico do capitalismo nos EUA – se reflete no interesse global por sua obra. “A Arte de Ser” já vendeu 200 mil cópias na Europa e chega ao Brasil em um momento de intensa busca por sentido pós-pandemia.

Em tempos de inteligência artificial e relações líquidas, Fromm nos lembra que “a tecnologia pode até simular emoções, mas nunca substituirá o risco e a beleza de ser humano”. Sua mensagem continua urgente: numa sociedade obcecada por acumular, a verdadeira liberdade está em aprender a ser.

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