Redação Culturize-se
Com o tema “Interiores Regenerativos: do Habitar ao Pertencer”, começou na terça-feira (25) a quarta edição do Salão Rio de Interiores, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro. Organizado a partir de três escalas — indivíduo, cidade e planeta —, o evento propõe ampliar progressivamente a discussão sobre o papel da arquitetura contemporânea e sua capacidade de produzir não apenas espaços, mas relações.
Na abertura, Sonia Lopes, presidente da AsBEA-RJ, Marcela Abla, presidente do IAB-RJ, e Isabel Rocha, vice-presidente do CAU/RJ, destacaram a importância da união das três principais entidades do setor em torno da arquitetura de interiores. A área representa atualmente 62% dos profissionais que atuam no segmento.
Responsáveis pelo projeto de implantação e pelo layout do salão, Heloísa Pisa, Giordana Pacini e Louise Brunet, da Junta Arquitetura, apresentaram soluções orientadas por princípios de sustentabilidade e economia circular. Materialidade e sistema construtivo foram pensados para reduzir impactos e incorporar ao próprio evento a ideia de regeneração defendida em sua programação.
A primeira jornada concentrou-se no indivíduo. No painel “Design, Memória e Pertencimento”, mediado pela jornalista Virgínia Lamarco, Marina Otte, Eduardo Trevisan e Gabriel Rosa discutiram objetos capazes de carregar histórias, afetos e identidades. Gabriel chamou atenção para o papel agregador da mesa, especialmente a redonda, “que tem o poder de trazer todos para o centro”. Para ele, a casa precisa refletir quem a habita — e não simplesmente reproduzir aquilo que está na moda.
A conversa também evidenciou uma percepção compartilhada: o design brasileiro vive um momento de reconhecimento internacional. Eduardo Trevisan ressaltou a diversidade do país como fonte de originalidade e experimentação. Marina Otte destacou a capacidade brasileira de adaptação, enquanto Gabriel Rosa defendeu a pluralidade cultural como uma das grandes forças do país.
No encerramento do dia, o painel “Hospitalidade como Arquitetura do Bem-Estar”, mediado por Thais Lauton, trouxe Patricia Anastassiadis para discutir como experiências desenvolvidas na hotelaria podem transformar também residências, escritórios e espaços coletivos.

Com projetos como Sofitel Ipanema, Fairmont Copacabana, Kempinski Laje de Pedra e Hotel du Cap-Eden-Roc, na França, a arquiteta mostrou como pesquisa, identidade cultural e atenção à experiência podem produzir ambientes singulares. Seu princípio é não repetir fórmulas: cada projeto deve nascer de uma compreensão específica do lugar.
Patricia também criticou a tendência brasileira de valorizar excessivamente referências externas. Para ela, a cultura nacional já oferece repertório suficiente para criar experiências sofisticadas e contemporâneas. Nesse sentido, o Salão Rio de Interiores transforma o debate sobre interiores em uma reflexão mais ampla: regenerar espaços significa também recuperar vínculos com a memória, a cultura, o território e as pessoas que dão sentido a eles.