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Ruy Castro conquista Jabuti 2025 com biografia de Tom Jobim

Redação Culturize-se

A 67ª edição do Prêmio Jabuti, principal condecoração literária do Brasil, consagrou o jornalista e escritor Ruy Castro como o grande vencedor da noite de terça-feira (27). Realizada pela primeira vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a cerimônia promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) premiou a obra “O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim”, publicada pela Companhia das Letras, como Livro do Ano de 2025.

Imortal da Academia Brasileira de Letras desde 2022, Ruy Castro conquistou duas estatuetas na noite: além do Livro do Ano, também venceu na categoria Crônica. Pelo prêmio principal, o autor embolsará R$ 70 mil e ganhará uma viagem para representar o Brasil na Feira do Livro de Londres, em março de 2026, durante as celebrações do Ano da Cultura Brasil-Reino Unido. A CBL organizará uma agenda exclusiva de encontros, palestras e ações de divulgação para o escritor.

“Esse bichinho aqui eu recebo em nome de todos os leitores que estão me acompanhando nesses 35 anos como autor de livros. Costumo dizer que não sou um escritor. Sou aquele que faz perguntas e toma notas”, declarou Ruy Castro no palco do Municipal. “Sou um biógrafo que faz reconstituição de histórias do Brasil, de pessoas e épocas, que nunca foram contadas ou precisavam ser contadas de outra maneira. Pretendo continuar. O Rio é inesgotável”, completou.

O escritor Ruy Castro | Fotos: Léo Ripamonti

A obra premiada é uma coletânea de 99 crônicas que compõe um perfil biográfico fragmentado e detalhado de Tom Jobim, revelando seu lado humano, crítico e muitas vezes inesperado. O livro explora a profunda conexão do compositor com o Brasil, sua genialidade, seu compromisso com a natureza e oferece histórias de bastidores e fatos inéditos da cena musical dos anos 1950 e 1960.

Natural de Caratinga (MG), nascido em 1948, Ruy Castro começou sua carreira como repórter em 1967 e, a partir de 1990, dedicou-se intensamente à escrita de livros. Tornou-se conhecido por biografias meticulosas de figuras emblemáticas como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, além de reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920. Sua trajetória já foi reconhecida com prêmios como o Machado de Assis e edições anteriores do próprio Jabuti.

Bellotto e a diversidade editorial

Outro destaque da noite foi Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, que conquistou a estatueta na categoria Romance Literário com “Vento em setembro”, também publicado pela Companhia das Letras. Os vencedores de cada categoria receberam R$ 5 mil e a tradicional estatueta do jabuti, muito cobiçada no meio literário.

A edição de 2025 registrou um recorde de 4.530 obras inscritas, distribuídas em 23 categorias organizadas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Chamou a atenção o fato de que diversas editoras de pequeno e médio porte saíram premiadas, demonstrando a preocupação do júri em valorizar a bibliodiversidade brasileira, embora tenha sido notada a predominância masculina entre os vencedores.

Uma novidade da edição foi a “Categoria Especial – Fomento à Leitura”, dedicada a projetos realizados no Rio de Janeiro. O vencedor foi o programa Rio Capital Mundial do Livro, que fortalece políticas estruturantes como Bibliotecas do Amanhã e Paixão de Ler, com alcance em diferentes territórios da cidade.

Homenagem a Ana Maria Machado

A escritora Ana Maria Machado foi escolhida como Personalidade Literária da 67ª edição, honraria que consagra figuras que contribuíram decisivamente para o fortalecimento da cultura brasileira. Membro da Academia Brasileira de Letras e um dos nomes centrais da literatura infantil nacional, a autora se emocionou ao receber aplausos entusiasmados de todo o teatro.

“Receber essa homenagem foi uma linda surpresa, que me encheu de alegria e gratidão. Foi inteiramente inesperado”, declarou Ana Maria, visivelmente emocionada. “A emoção é dupla porque é um reconhecimento que vem do povo do livro, da minha gente. E ainda mais num ano em que a festa é na minha cidade”, completou a escritora, que construiu uma trajetória marcada pela versatilidade e pelo diálogo com diferentes públicos. Com mais de cem títulos publicados, suas obras foram traduzidas em diversos idiomas e chegaram a mais de 20 países.

A escolha do Theatro Municipal do Rio teve significado especial, já que a cidade detém em 2025 o título de Capital Mundial do Livro pela UNESCO. “Realizar esta cerimônia no Rio teve um significado singular. Celebramos aqui a indústria do livro, a diversidade da produção nacional, a inovação e a excelência editorial”, comemorou Sevani Matos, presidente da CBL.

O curador Hubert Alquéres destacou o papel crescente do Jabuti na internacionalização da literatura brasileira. “Ao premiar obras brasileiras publicadas fora do país, a premiação reconhece o esforço de editoras estrangeiras e nacionais que trabalham na exportação dos direitos autorais. O Jabuti está sempre se reinventando e buscando novos espaços de internacionalização”, afirmou.

As obras vencedoras terão maior visibilidade em eventos nacionais e internacionais, como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha e a Feira do Livro de Frankfurt.

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