Redação Culturize-se
O Tons Coletivo estreia no circuito de artes visuais com “ROXO em TONS”, exposição que reúne oito artistas contemporâneos em torno de uma investigação sobre as múltiplas simbologias da cor roxa. Com curadoria de Audrey Barbosa, a mostra acontece de 3 a 9 de outubro de 2026, no Vazio Criativo, em São Paulo, e apresenta trabalhos em fotografia, pintura, desenho, escultura, arte têxtil e linguagens híbridas.
Historicamente associado ao poder, à espiritualidade, ao mistério, à memória e à transformação, o roxo deixa de ser apenas um elemento visual e se torna o ponto de partida para um diálogo entre trajetórias distintas. Cada artista desenvolve uma pesquisa autoral a partir da cor, mostrando como uma mesma tonalidade pode despertar narrativas, sensações e interpretações diversas.
O percurso se organiza em quatro núcleos: Memória; Corpo e Afeto; Mistério e Espiritualidade; e Ruptura e Transformação. As obras atravessam temas contemporâneos como identidade, resistência, sustentabilidade, tecnologia e relações humanas, unindo reflexão crítica e experimentação estética.
Entre os destaques, Luiz Queiroz apresenta a série “Feminicídio”, de retratos de mulheres manipulados digitalmente, sem uso de inteligência artificial, para investigar os limites entre presença, memória e deformação da imagem. Alessandra Stona traz tecelagens, esculturas e aquarelas sobre as conexões entre corpo e natureza, incluindo a série “Glifo”, criada durante um tratamento de saúde. Paulo H Vieira exibe pinturas da série “Conectados”, inspiradas na relação entre o cotidiano urbano e a presença crescente da tecnologia.
Helder Alves investiga corpo, identidade e pertencimento em autorretratos que dialogam com a trajetória das lutas queer. Fabienne Lodomez mostra esculturas inéditas em cerâmica que exploram matéria, luz e percepção, enquanto Luiz Maymone articula desenho, colagem e escultura em trabalhos sobre memória, empatia e identidade.
Eduardo Rondon transforma resíduos industriais em esculturas e relevos encapsulados em resina acrílica, propondo reflexões sobre permanência e memória coletiva. Rosane Viegas, por sua vez, aproxima gravuras, esculturas e livros de artista para investigar movimento, matéria e transformação.
Embora partam de linguagens diferentes, os oito artistas compartilham o interesse pela experimentação de materiais e processos criativos. Para a curadora, a escolha da cor foi decisiva. “Quando começamos a pensar na primeira exposição do Tons Coletivo, percebemos que o roxo tinha a capacidade de aproximar pesquisas muito diferentes sem uniformizá-las”, afirma Audrey Barbosa. Segundo ela, a mostra convida o visitante a construir seu próprio percurso e descobrir as múltiplas camadas de significado que uma mesma cor pode revelar.

