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Cultura de massa e resistência: exposição na Pina revisita o Brasil dos anos 60 e 70

Redação Culturize-se*

No ano em que celebra seus 120 anos, a Pinacoteca de São Paulo realiza a maior exposição de 2025. “Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-1970” ocupa o prédio da Pina Contemporânea com 250 obras de mais de 100 artistas brasileiros. A mostra reúne pinturas, fotografias, instalações e esculturas que revelam como a arte pop foi usada, no Brasil, como ferramenta de crítica e resistência durante os anos de chumbo da ditadura militar e em meio às transformações culturais e políticas da época.

Com curadoria de Pollyana Quintella e Yuri Quevedo, a exposição oferece um recorte potente da produção artística brasileira entre as décadas de 1960 e 1970, período em que o país vivia sob censura, repressão e ruptura democrática. O movimento pop, que teve origem no Reino Unido e ganhou fama com artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein nos Estados Unidos, foi reinterpretado no Brasil em diálogo direto com o subdesenvolvimento, as contradições da indústria cultural nascente e as desigualdades sociais.

“É a maior exposição do ano da Pinacoteca, que também celebra os 60 anos de duas mostras fundamentais para a arte contemporânea brasileira: Opinião 65, no Rio de Janeiro, e Propostas 65, em São Paulo”, explica Yuri Quevedo. “Essas exposições foram respostas coletivas de artistas à supressão de direitos e ao absurdo da repressão militar.”

Logo na entrada, o público é recebido pelo emblemático “Happening das Bandeiras”, realizado originalmente em 1968 na Praça General Osório, no Rio de Janeiro, por nomes como Nelson Leirner, Carmela Gross e Hélio Oiticica. Tecidos serigrafados com mensagens e intervenções públicas transformaram o espaço urbano em território de arte e contestação. Entre as peças exibidas, destaca-se a icônica bandeira de Oiticica com a frase “Seja marginal, seja herói”, símbolo máximo da cultura marginal e da resistência artística no Brasil.

Os curadores da exposição | Foto: Divulgação

Outro destaque da mostra é o altar criado por Nelson Leirner em homenagem a Roberto Carlos, refletindo a ascensão da indústria cultural brasileira e a construção de ídolos populares. Obras de artistas como Claudio Tozzi e Claudia Andujar também trazem ícones nacionais e internacionais, como Chico Buarque e Che Guevara, contrapondo cultura de massa e crítica política.

Além das críticas diretas à ditadura, Pop Brasil dedica um núcleo às mudanças comportamentais e sociais, como a revolução sexual influenciada por movimentos globais, como o Maio de 68 e o movimento hippie. Obras de Wanda Pimentel e Geraldo de Barros exploram a cultura urbana e as tensões entre liberdade individual e repressão.

A exposição também marca os 10 anos do comodato da Coleção Roger Wright, reforçando o papel da Pinacoteca na preservação da memória artística brasileira. “Essas obras mostram que as batalhas políticas também se travaram no campo da cultura e do comportamento”, afirma Quevedo.

Pop Brasil fica em cartaz até 5 de outubro, com entrada gratuita aos sábados.

*Com informações da Agência Brasil

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