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Brasil bloqueia mercados de predição enquanto EUA debatem crise de vício em apostas

Redação Culturize-se

O governo brasileiro tomou uma decisão firme contra as plataformas de mercado preditivo. No fim de abril, o Ministério da Fazenda determinou o bloqueio de pelo menos 27 plataformas, que já foram retiradas do ar pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A medida, baseada em uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), visa fechar uma brecha regulatória e proteger a população de riscos financeiros.

“Os mercados de predição não são legais, não são regulares no Brasil”, afirmou o ministro Dario Durigan em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Segundo ele, o setor operava em um “espaço de anarquia” desde 2018, sem regras claras. A legislação brasileira permite apostas apenas em eventos esportivos reais e jogos online com regras definidas. As plataformas de predição, porém, ofereciam derivativos sobre temas políticos, culturais e sociais, como previsões de chuva ou morte de celebridades, sem lastro financeiro adequado.

“A medida tem como objetivo evitar a consolidação de um novo mercado de apostas sem controle”, destacou a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior. “Do nosso ponto de vista, se isso acontecesse, provocaria riscos enormes para a população brasileira.” Durigan reforçou que a decisão busca proteger a poupança popular e evitar maior endividamento.

O contraste com os Estados Unidos é marcante. Enquanto o Brasil opta pelo bloqueio, os EUA convivem com uma explosão desregulada dos mercados de predição. Segundo análise do Wall Street Journal, o volume de apostas saltou de US$ 1,8 bilhão em abril de 2025 para US$ 24,2 bilhões em abril de 2026. O cenário, porém, é de concentração extrema de renda: 67% dos lucros da Polymarket, uma das maiores plataformas, vão para apenas 0,1% das contas. Em números absolutos, cerca de 2 mil contas lucraram quase meio bilhão de dólares desde novembro de 2022.

Foto: Reprodução/Internet

A dinâmica é de predatório desequilíbrio. Na Kalshi, outra plataforma popular, há 2,9 usuários com prejuízo para cada um com lucro. Profissionais, insiders e firmas de trading usam algoritmos e bots para fazer dezenas de milhares de operações por dia, enquanto usuários casuais, muitos em situação financeira vulnerável, acabam como “sacos de pancada” do sistema.

“Esporte tem a atenção de todos os jovens doentes, eu diria”, afirmou o ex-jogador profissional de pôquer Michael Boss, que realiza 60 operações por minuto na Kalshi, em referência aos viciados em apostas. Apostas em “mercados de menções”, como prever se uma personalidade pública dirá uma palavra específica, apresentam retornos piores do que a maioria das máquinas caça-níqueis de Las Vegas.

A Polymarket, que recentemente abriu oficialmente para usuários dos EUA sob supervisão da CFTC (Comissão de Futuros e Mercadorias), faz pouco para conter o insider trading, embora afirme cooperar com investigações governamentais. A Kalshi, regulada pela CFTC, tem feito esforços recentes para conter a prática. O presidente da CFTC, Michael Selig, defensor de longa data de criptomoedas, insiste que os mercados de predição são “tecnologia que proporciona maior liberdade ao povo americano”.

Enquanto isso, o Brasil escolheu o caminho oposto: proibição total em vez de regulação. A questão que permanece é se a medida brasileira conseguirá conter a demanda por esses serviços ou se, como nos EUA, a falta de regras claras apenas transferirá o problema para espaços ainda menos controlados.

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