Redação Culturize-se
Em seu ensaio The End of Architecture, Patrik Schumacher argumenta que os arquitetos devem abandonar o pluralismo, ignorar preocupações sociais e ambientais e focar exclusivamente na inovação formal e tecnológica. Sua visão é radical — e equivocada. A arquitetura não precisa escolher entre inovação e responsabilidade social, entre forma e função. Essas são dicotomias falsas.
Schumacher afirma que o progresso arquitetônico exige um único estilo, descartando o pluralismo como fraqueza. No entanto, a história nunca testemunhou um estilo arquitetônico universal — nem deveria. Embora movimentos como o Modernismo ou a arquitetura Gótica tenham dominado certas regiões, sempre coexistiram com inovações diversas e contextuais ao redor do mundo. O cânone eurocêntrico não é a única medida de progresso; África, Ásia e América Latina há muito produzem trabalhos inovadores enraizados em suas condições locais. O pluralismo impulsiona a inovação ao permitir que diferentes abordagens se desafiem e se enriqueçam mutuamente.

Necessidades sociais e ambientais impulsionam a inovação
A insistência de Schumacher para que os arquitetos se desvinculem das preocupações sociais ignora a realidade. Fatores sociais, políticos e ecológicos não impedem a inovação — eles a inspiram. Lidar com desafios como mudanças climáticas, migração e desigualdade exige soluções criativas que combinem engenhosidade formal com responsabilidade ética. Abandonar essas questões diminuiria o papel da arquitetura na construção de um futuro próspero.
Na Bienal de Veneza de 2023, curada por Lesley Lokko, os projetos mais impactantes vieram de vozes pouco conhecidas — prova de que o progresso arquitetônico floresce na diversidade, não na conformidade. A grande arquitetura não se trata apenas de novidade formal; ela envolve inovação material, sustentabilidade e design participativo.
O argumento de Schumacher nega uma verdade fundamental: o ambiente construído é sempre político. Cada escolha de design — materiais, uso do solo, clientes — afeta comunidades, economias e ecossistemas. Ignorar essa responsabilidade enfraquece o potencial da arquitetura. O verdadeiro perigo não é o pluralismo, mas o isolamento — recuar para debates internos enquanto se ignora a complexidade do mundo real.
O futuro da arquitetura está em abraçar a complexidade, não em impor ideais rígidos. O parametricismo tem seu espaço, assim como práticas socialmente engajadas. O debate rigoroso deve ser inclusivo, não excludente. A questão não é se a arquitetura deve ser inovadora ou socialmente consciente — mas sim como pode ser ambas.
A disciplina precisa manter seu rigor intelectual enquanto se engaja com o mundo ao seu redor. A crítica deve expandir possibilidades, não limitá-las. A verdadeira medida do progresso não está apenas na disrupção formal, mas no impacto holístico — projetando um futuro onde as pessoas e o planeta possam prosperar.