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Netflix desiste de disputar a Warner Bros. Discovery e abre caminho para a Paramount Skydance

Redação Culturize-se

A Netflix retirou formalmente sua proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery, encerrando semanas de movimentações estratégicas e liberando o caminho para que a Paramount Skydance assuma o controle de um dos ativos mais emblemáticos de Hollywood. A decisão, anunciada na quinta-feira (26) à tarde, repercutiu nos estúdios, nas cúpulas executivas e em Washington, evidenciando o grau de interseção entre consolidação de mídia, expectativas de Wall Street e dinâmicas de poder político.

O conselho da Warner Bros. Discovery havia determinado anteriormente que a proposta revisada da Paramount Skydance, de US$ 31 por ação, era superior à oferta da Netflix. Pela regra do processo, a empresa de streaming tinha quatro dias úteis para apresentar uma contraproposta. Em vez disso, optou por desistir. Em comunicado, os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters afirmaram que o acordo negociado criaria valor aos acionistas e teria caminho regulatório claro, mas ressaltaram que a companhia não pagaria acima do razoável. Segundo eles, tratava-se de uma oportunidade interessante pelo preço certo, não de uma necessidade estratégica a qualquer custo.

A Netflix receberá uma multa rescisória de US$ 2,8 bilhões, mas a retirada representa o primeiro grande fracasso em fusões e aquisições na história da empresa — que construiu sua hegemonia sobretudo por crescimento orgânico, escala global e investimento agressivo em conteúdo.

Foto: Reprodução/Internet

O contexto político também pesou. Em Washington, o negócio ocorreu em meio a sinais ambíguos do governo Trump. A Paramount, dona da CBS News, era vista como tendo recepção mais favorável entre setores republicanos. A tensão aumentou após críticas públicas da conselheira da Netflix Susan Rice ao ex-presidente Donald Trump, levantando dúvidas sobre a postura do Departamento de Justiça diante de uma eventual fusão entre Netflix e Warner.

Em Hollywood, a reação variou entre choque e alívio. Na sede da Warner Bros., em Burbank, executivos ainda esperavam uma contraproposta. Já na Paramount Skydance, o clima foi de celebração, embora a aprovação regulatória ainda seja incerta. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que o processo segue em curso.

Analistas estimam que a empresa combinada carregaria cerca de US$ 87 bilhões em dívidas, o que exigiria cortes e sinergias — e possivelmente novas demissões. Para a indústria, a disputa expôs as fraturas financeiras, políticas e culturais que definem o atual ciclo de consolidação em Hollywood.

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