Redação Culturize-se
Uma das peças mais impactantes do teatro contemporâneo ganha uma nova montagem brasileira em São Paulo. “Closer”, do dramaturgo inglês Patrick Marber, está em cartaz no Teatro Vivo, no Morumbi, até 27 de julho. A montagem nacional traz José Loreto, Marjorie Gerardi, Larissa Ferrara e Rafael Lozano interpretando os quatro protagonistas dessa história marcada por encontros e desencontros amorosos, obsessões e traições.

Celebrizado mundialmente pela adaptação cinematográfica de 2004, dirigida por Mike Nichols e estrelada por Natalie Portman, Clive Owen, Julia Roberts e Jude Law, “Closer” mantém sua força justamente por expor as fragilidades e contradições dos relacionamentos humanos. O texto estreou originalmente em Londres, em 1997, e já teve uma montagem brasileira em 2000, com direção de Hector Babenco e um elenco de peso formado por Marco Ricca, Guta Stresser, José Mayer e Renata Sorrah.
Na trama, o escritor Dan conhece a misteriosa Alice após ajudá-la em um acidente. Eles se envolvem e, anos depois, Dan se encanta por Anna, uma fotógrafa bem-sucedida, por quem desenvolve uma obsessão doentia. Em um jogo de manipulação, Dan marca um encontro fingindo ser Anna, e coloca Larry, um dermatologista, no centro desse triângulo amoroso. A partir daí, as quatro vidas se entrelaçam de forma imprevisível, em uma narrativa que mistura desejo, mentira e culpa.
Para o diretor Kiko Rieser, montar essa peça é um desafio não só artístico, mas pessoal. “Mexemos em feridas abertas. Inclusive para nós, artistas, várias relações foram postas em xeque durante o processo, mas sobrevivemos”, confessou À revista Veja SP. “Acredito que cada espectador vai se identificar com pelo menos um dos personagens”.

A cenografia assinada por Bruno Anselmo foi pensada para dialogar com a fragmentação da história e o embate entre passado e presente. Com forte influência do neoconcretismo e da arquitetura brutalista, o cenário tem 16 configurações diferentes, combinadas com projeções e vídeos pré-gravados dos atores, criando camadas narrativas entre ficção e realidade.
Segundo as atrizes Marjorie Gerardi e Larissa Ferrara, idealizadoras do projeto, a decisão de encenar “Closer” nasceu da vontade de discutir, no palco, o limite entre desejo e destruição nos relacionamentos. “Hoje vivemos uma liberdade maior, com diferentes formas de se relacionar. Mas carência, ego, ciúmes e mentiras continuam presentes. Essa peça nunca vai envelhecer”, afirma Larissa.
Para José Loreto, intérprete de Larry, a peça promete provocar o público. “Já ouvi gente dizendo: ‘Não vou levar meu parceiro porque vai dar briga depois (risos)’. Mas essa é a intenção: provocar reflexão e conversa. Ninguém sai indiferente de Closer”.