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Globalização do Pix avança e posiciona o Brasil na vanguarda do setor de pagamentos

Redação Culturize-se

Lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central do Brasil, o Pix rapidamente transformou o cenário financeiro do país. Em poucos anos, consolidou-se como o principal meio de pagamento entre brasileiros, com uma adesão que supera 76% da população, movimentando R$ 26 trilhões em 63 bilhões de transações só em 2024. Este sucesso interno chamou a atenção de outras nações e colocou o Brasil como uma referência global em sistemas de pagamento instantâneo. Hoje, o país ocupa o segundo lugar no ranking mundial, atrás apenas da Índia, e seu modelo tem sido exportado e adaptado por diferentes mercados, impulsionando discussões sobre a criação de uma rede global integrada de pagamentos.

A internacionalização do Pix já é realidade em países vizinhos. Na Argentina, por exemplo, mais de 1.100 estabelecimentos aceitam pagamentos via Pix, beneficiando cerca de 250 mil brasileiros que utilizam o sistema em compras locais. No Brasil, 370 mil comércios já recebem pagamentos de argentinos, viabilizados pela tecnologia blockchain. Nos Estados Unidos, brasileiros conseguem utilizar o Pix em Orlando e outras cidades, e o Banco Central mantém diálogo com autoridades monetárias de Colômbia, Chile, Equador e Uruguai para expandir ainda mais a atuação da ferramenta. Em paralelo, o BC apoia o desenvolvimento do Nexus, uma plataforma coordenada pelo Banco de Compensações Internacionais que pretende integrar os sistemas de pagamento instantâneo de 60 países.

Durante eventos internacionais como a UK Fintech Week 2025, o Pix tem sido tema recorrente de interesse entre executivos e especialistas. O presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Diego Perez, destacou que a taxa de adesão de mais de 95% da população adulta brasileira impressiona estrangeiros. Já Bruno Diniz, conselheiro do Open Finance Brasil, relatou à CNN Brasil que as perguntas mais frequentes são sobre a implementação e as dificuldades superadas. O Brasil também exporta conhecimento nessa área: pesquisadores de Stanford, Harvard e da London School of Economics procuram especialistas brasileiros para entender o funcionamento e a regulação do Pix.

A disseminação do sistema, entretanto, enfrenta barreiras importantes, especialmente no campo regulatório. Enquanto o Brasil conta com um arcabouço legal robusto — ancorado no artigo 192 da Constituição, que regula o mercado de capitais —, muitos países ainda debatem se a autoridade monetária deve ou não comandar tais sistemas. No Peru, por exemplo, o banco central não possui capacidade técnica e financeira para desenvolver um sistema similar, optando por uma central de pagamentos gerida pelos próprios bancos. Na Colômbia, o processo está mais avançado: o Credibanco, parceiro da fintech brasileira Dock, desenvolve uma plataforma de pagamentos inspirada no Pix, com regulação similar à brasileira.

Foto: EBC

O sucesso do Pix pode ser atribuído a uma combinação de fatores que formaram uma “tempestade perfeita”. A confiança dos brasileiros nas instituições financeiras, a ampla utilização de celulares (263 milhões de linhas ativas segundo a Anatel) e a aceleração da digitalização durante a pandemia da Covid-19 criaram um ambiente favorável para a adoção em massa do sistema. Além disso, a centralização estatal do Pix, aliada à gratuidade e à instantaneidade, gerou uma relação vantajosa tanto para consumidores quanto para comerciantes, incentivando o uso recorrente.

A expansão internacional, contudo, também levanta preocupações sobre segurança. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destaca o aumento de tentativas de fraude, mas argumenta que o ambiente digital torna essas ações mais rastreáveis do que o dinheiro em espécie. Segundo ele, o foco do BC é coibir o uso de contas laranja e de aluguel, que facilitam a movimentação de recursos ilícitos. A autoridade monetária também oferece ferramentas que permitem aos usuários personalizar as transferências, bloqueando transações fora de padrões pré-definidos.

Com a disseminação do Pix e a possível integração ao Nexus, o Brasil mira um cenário onde o real seja uma moeda 100% conversível, sem restrições cambiais. A meta é permitir que estrangeiros recebam e paguem em reais e em outras moedas com facilidade, minimizando a influência do dólar em transações regionais. A fintech Dock, que participa da implementação de sistemas semelhantes em países como Colômbia, Peru e México, já trabalha no desenvolvimento de uma plataforma global de pagamentos.

A trajetória do Pix, que completa cinco anos em 2025, demonstra o potencial do Brasil como líder na inovação financeira. O caminho para a internacionalização plena ainda exige ajustes regulatórios, adaptações tecnológicas e superação de desafios culturais em diferentes mercados. No entanto, a combinação de expertise técnica, apoio institucional e apetite do setor privado sugere que o Pix está bem posicionado para se tornar um modelo global de pagamento instantâneo.

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