Redação Culturize-se
Um dos nomes mais atuantes no circuito independente de arte de Belo Horizonte está em novo endereço. A GAL Arte & Pesquisa, fundada pela arquiteta Laura Barbi, inaugura sua nova sede em uma casa modernista projetada por Sylvio de Vasconcellos em 1953, no bairro Cidade Jardim, na Zona Sul da capital. Tombado pelo patrimônio, o imóvel do século XX abrigará exposições, residências artísticas e oficinas, mantendo a proposta da galeria de desconstruir formatos tradicionais de exibição.
“Queremos aproximar a arte de espaços onde as pessoas já circulam, sair do cubo branco convencional”, explica Barbi ao jornal Estado de Minas. A estratégia de ocupar locais ociosos com relevância arquitetônica — como já fez no Sion entre 2021 e 2023 — é um dos pilares do projeto, que desde 2017 realizou 35 mostras e lançou pôsteres colecionáveis para democratizar o acesso.

Novos ares, mesma missão
A mudança amplia as possibilidades de pesquisa e colaboração. O segundo andar da casa modernista, com pisos de madeira e integração entre ambientes, receberá a exposição “Ponto de Encontro”, coletiva com 29 artistas representados pela GAL, incluindo nomes como Fernanda Gontijo, Julia Baumfeld e Juliana de Oliveira. A programação seguirá com eventos semanais abertos ao público.
Para Barbi, a escolha do local dialoga com a história da cidade: “Sylvio de Vasconcellos foi um defensor do patrimônio mineiro. É simbólico reativar esse espaço com arte contemporânea”. A arquiteta também destaca parcerias com instituições como a Fundação Clóvis Salgado e o Museu Mineiro, que reforçam o caráter colaborativo da galeria.
O nome GAL remete tanto à sigla “Galeria de Arte Livre” quanto à cantora Gal Cost — homenagem que reflete a mistura de referências do projeto. Com obras que variam de R$ 300 a R$ 30 mil, a proposta é desmistificar a ideia de que arte é inacessível. “Trabalhei com artistas emergentes em Londres e vi como esse modelo pode ser viável”, conta Barbi, que idealizou o espaço após atuar na Embaixada do Brasil no Reino Unido.
A trajetória nômade da GAL — que já passou por cinco endereços — é parte essencial de seu DNA. “Não somos um espaço fixo, mas um dispositivo de conexão“, define a fundadora.