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Apple acerta o passo com "F1 - O Filme "e reacende esperanças no cinema

Reinaldo Glioche

O sucesso acachapante de “F1 – O Filme” nas bilheterias em seu primeiro fim de semana ecoou nos escritórios da Apple. Para uma empresa que lutou para transformar suas ambições cinematográficas em sucesso de bilheteria, este é um momento crucial—que pode redefinir sua abordagem ao cinema.

Diferente das apostas anteriores da Apple – como “Assassinos da Lua das Flores”, de Martin Scorsese, “Napoleão”, de Ridley Scott e o mal-sucedido “Argylle -, este drama automobilístico estrelado por Brad Pitt não foi apenas um projeto de prestígio. Foi feito para entreter, e o público respondeu. O desempenho do filme envia um sinal claro: a Apple pode competir no mundo dos blockbusters—se escolher os projetos certos.

Insiders veem “F1” como um possível ponto de virada. Depois de anos de experimentos caros e recuos—como minimizar o lançamento nos cinemas de “Lobos” para evitar outro fracasso—, a Apple agora tem prova de que seus filmes podem atrair plateias. A questão é se a empresa interpretará isso como uma vitória isolada ou um modelo para o futuro.

Internamente, a Apple estava em uma encruzilhada. Sem um grande sucesso de bilheteria, alguns executivos questionavam se a empresa deveria reduzir suas ambições nos cinemas e focar no streaming, onde séries como “Severance” e “Ted Lasso” prosperaram e outras tantas atingiram grande sucesso de crítica. Mas a estreia forte de “F1”, o filme original mais bem-sucedido desde “Oppenheimer”, sugere outro caminho: investir pesado em filmes comerciais enquanto mantém projetos de prestígio selecionados.

Uma sequência já está em discussão inicial, indicando que a Apple enxerga potencial para uma franquia. No entanto, o maior desafio está na distribuição. Diferente dos estúdios tradicionais, a Apple depende de parceiros como a Warner Bros. para lançamentos globais—um modelo que se torna arriscado quando os filmes não performam bem. Se a Apple quiser continuar na liga dos blockbusters, pode precisar investir em sua própria rede de distribuição—um próximo passo caro, porém lógico.

Foto: Divulgação

Alternativamente, a Apple poderia continuar selecionando projetos criteriosamente, apostando apenas nos roteiros mais promissores e em filmes estrelados por grandes nomes. Isso permitiria que ela permanecesse no jogo sem se comprometer demais. Mas, com rivais como a Amazon MGM ampliando seus lançamentos nos cinemas, jogar seguro pode significar ficar para trás.

Leia também: “F1” acelera na contramão de Hollywood e entrega o que promete

Há também a questão do streaming. A Apple poderia mudar completamente de estratégia, seguindo o modelo da Netflix com lançamentos limitados nos cinemas antes de enviar os filmes diretamente para o Apple TV+. Porém, isso arrisca alienar cineastas de peso—e perder o impacto cultural que um verdadeiro sucesso de bilheteria proporciona.

Por enquanto, “F1” dá à Apple algo que lhe faltava: impulso. Se a empresa usará isso para mudar de marcha ou permanecer na mesma pista determinará se esta é apenas uma vitória passageira—ou o início de uma nova era.

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