Redação Culturize-se
O Museu da Imagem e do Som (MIS) recebe a partir de 23 de junho a exposição “Quando o sonho encontra o azul”, da artista e fotógrafa Daniela Dib. Em cartaz até 3 de agosto, a mostra integra o programa Nova Fotografia 2026 e apresenta cerca de 15 imagens inéditas produzidas entre 2021 e 2026, sob direção artística de Marcelo Greco.
O conjunto de obras propõe uma imersão visual em atmosferas de introspecção, marcadas por jogos de luz e sombra, reflexos e paisagens que parecem suspensas no tempo. A construção narrativa das imagens oscila entre o íntimo e o onírico, sugerindo um espaço intermediário entre a experiência concreta e a percepção subjetiva da realidade.
O eixo conceitual da exposição é a cor azul, tratada por Daniela Dib não apenas como elemento cromático, mas como estado emocional e simbólico. A artista parte de referências linguísticas e históricas que indicam a ausência da palavra “azul” em diversas civilizações antigas, nas quais o céu e o mar eram percebidos como extensões indefinidas do mundo natural, ainda sem categorização formal. Nesse contexto, o azul emerge como uma presença sensível e silenciosa, mais próxima da sensação do que da nomeação.
Nas fotografias, essa cor se manifesta como atmosfera difusa, atravessando corpos, superfícies e vazios. Em vez de representar o azul, Dib o sugere como experiência, explorando sua dimensão imaterial. As imagens transitam entre delicadeza e tensão, criando uma sensação constante de instabilidade perceptiva.

“A busca silenciosa, um olhar através de uma fresta, habitando uma dimensão entre o caos e a magia da vida cotidiana”, define a artista, ao descrever o núcleo emocional de seu trabalho. Segundo ela, a série se estrutura como um equilíbrio delicado entre forças opostas, como vida e morte, presença e ausência.
A expografia reforça essa proposta sensorial. As fotografias serão instaladas de forma a criar a impressão de flutuação, acompanhadas por um sutil som de água, ampliando a experiência contemplativa do visitante. Em contraste com a aceleração do cotidiano contemporâneo, a exposição propõe uma desaceleração do olhar e uma atenção prolongada às imagens.
Natural de Porto Alegre, Daniela Dib iniciou sua formação em Desenho Industrial na ULBRA e atuou por anos no universo da moda antes de migrar para a fotografia autoral em 2018, quando ingressou no MAM São Paulo. Desde então, vem consolidando uma trajetória marcada por publicações independentes e participações em exposições no Brasil e no exterior.
Entre seus trabalhos publicados estão “Aqueles Dias” (2021), finalista de prêmio de fotolivro, além de “Caminho de volta” (2019) e o zine “Paisagens Internas” (2022). Seu trabalho também já foi exibido em projetos internacionais no Reino Unido, Japão e França.
Ao comentar a participação no MIS, a artista destaca o impacto simbólico da seleção. Para ela, integrar uma instituição de grande relevância no cenário cultural brasileiro representa uma experiência de reconhecimento e também de exposição emocional, ao ver seu olhar alcançar diferentes públicos.
A exposição faz parte do programa Nova Fotografia, iniciativa do MIS que seleciona anualmente seis novos fotógrafos por meio de chamada pública, privilegiando séries inéditas com originalidade técnica e estética. Após o período expositivo, as obras passam a integrar o acervo permanente do museu.