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Arte contra a repressão: MASP revisita ações do coletivo CADA

Redação Culturize-se

O MASP apresenta, entre 2 de abril e 2 de agosto, a exposição Colectivo Acciones de Arte: democracia radical, reunindo um conjunto expressivo de documentos e registros das intervenções realizadas pelo Colectivo Acciones de Arte (CADA) durante a ditadura militar no Chile. Com curadoria de André Mesquita, a mostra destaca oito ações desenvolvidas entre 1979 e 1985, período marcado pela repressão política sob o regime de Augusto Pinochet.

Fundado em 1979, em Santiago, o coletivo reuniu nomes como Lotty Rosenfeld, Juan Castillo, Diamela Eltit, Raúl Zurita e Fernando Balcells. Juntos, eles desenvolveram intervenções urbanas que buscavam contornar a censura por meio de ações rápidas, muitas vezes anônimas, deslocando a arte dos espaços institucionais para o cotidiano das cidades.

Entre as obras mais emblemáticas está NO+ (1983), ação que espalhou a expressão “não mais” pela paisagem urbana chilena. A proposta aberta permitia que a população completasse a frase conforme suas demandas ( “não mais ditadura”, “não mais fome”) transformando o gesto artístico em plataforma coletiva de protesto. A intervenção extrapolou o circuito artístico e tornou-se símbolo político, antecipando o ambiente de mobilização que culminaria no plebiscito de 1988, responsável pelo fim do regime militar.

Outro destaque é ¡Ay Sudamérica! (1981), documentada em fotografias e vídeos, na qual aviões lançaram cerca de 400 mil panfletos sobre Santiago com a mensagem de que “todas as pessoas são artistas”. A ação dialoga diretamente com a memória do bombardeio ao Palácio de La Moneda, em 1973, que derrubou o governo de Salvador Allende, invertendo o imaginário da violência ao substituir bombas por palavras.

Já em Inversión de escena (1979), caminhões de leite desfilaram em direção ao museu nacional, evocando tanques de guerra e denunciando simultaneamente a escassez alimentar e a repressão estatal. Ao bloquear simbolicamente o acesso ao museu, o coletivo deslocava o eixo da arte para a vida cotidiana, reforçando seu caráter político e social.

A exposição integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas e reafirma o papel da arte como instrumento de participação e crítica. Ao reunir documentos, filmes e registros dessas ações, a mostra evidencia como o CADA tensionou os limites entre arte e política, propondo formas de resistência que continuam a ecoar em contextos contemporâneos.

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