Redação Culturize-se
Em meio aos alarmantes índices de feminicídio no país — foram 1.500 casos registrados em 2024, segundo o LESFEM (Laboratório de Estudos de Feminicídios) —, o teatro responde com arte e reflexão. A peça “Alices”, que estreia no Sesc Pinheiros nesta semana e segue em cartaz até 13 de dezembro, de quinta a sábado, às 20h30, propõe uma imersão poética e crítica sobre a violência de gênero e a urgência de políticas públicas de proteção às mulheres.
Com dramaturgia de Jarbas Capusso Filho, direção de Joana Dória e atuações de Nicole Cordery e Fábia Mirassos, o espetáculo se passa em um “não-lugar”, onde duas mulheres chamadas Alice se encontram sem saber por quê. Aos poucos, o diálogo entre elas revela histórias marcadas por opressão e resistência, em uma trama que mescla realismo fantástico, humor e densidade emocional.
Capusso explica que o objetivo é provocar reflexão, mais do que comoção. “Quero que o público questione as injustiças e analise criticamente a realidade. A violência de gênero exige distanciamento crítico sem perder a emoção.”

A encenação, pensada como uma instalação cênica, incorpora referências às artistas Ana Mendieta, Elina Chauvet e Rosana Pauli, evocando a presença cotidiana e dolorosa do feminicídio. “Queremos informar, conscientizar e honrar a memória das mulheres vítimas dessa violência”, afirma Dória.
Para as atrizes, o espetáculo também é sobre cura e solidariedade. “As Alices se acolhem e se escutam com respeito — e isso é libertador”, diz Nicole Cordery. Já Fábia Mirassos destaca “a delicadeza e o humor” da montagem, que transforma o medo em arte e o silêncio em voz.
Serviço: “Alices”, no Sesc Pinheiros, de 13/11 a 13/12, quintas a sábados, às 20h30.