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"A Rede Social" terá sequência com foco em 'império sombrio' de Mark Zuckerberg

Reinaldo Glioche

Quinze anos depois que “A Rede Social”, de David Fincher, dissecou a ascensão do Facebook com diálogos afiados e precisão glacial, uma sequência finalmente está em produção — mas não como um follow-up convencional. Em vez disso, Aaron Sorkin, o roteirista vencedor do Oscar por esse primeiro filme, está confirmado para dirigir “A Rede Social Parte II”, adaptando “The Facebook Files”, a investigação explosiva do Wall Street Journal sobre o impacto social da Meta. O projeto, agora em desenvolvimento na Sony, surge em um momento em que as consequências das redes sociais — caos político, crises de saúde mental e manipulação algorítmica — se tornaram impossíveis de ignorar.

O filme original de 2010, um marco cultural, retratou Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) como um estudante ambicioso e socialmente alienado de Harvard que revolucionou a comunicação — e deixou um rastro de traições pelo caminho. Agora, a sequência abordará o que veio depois: o papel do Facebook no ataque de 6 de janeiro ao Capitólio, sua contribuição para a depressão adolescente e sua disseminação descontrolada de desinformação. Se o primeiro filme foi sobre a criação de um império digital, este lidará com suas consequências.

A escolha de Sorkin como diretor levanta questões. Apesar de aclamado por sua escrita (“The West Wing”, “O Homem que Mudou o Jogo”, “Steve Jobs”), seu trabalho como diretor jamais suscitou entusiasmo. Ele conseguirá reproduzir a mesma tensão eletrizante sem a direção cirúrgica de Fincher? E Jesse Eisenberg voltará como Zuckerberg, agora um magnata bilionário em vez de um disruptor de moletom? Trocar o ator seria ousado, e até certo ponto bem-vindo, mas o retorno de Eisenberg parece mais provável.

O roteirista e cineasta Aaron Sorkin | Foto: Divulgação

O cenário das redes sociais mudou radicalmente desde 2010. O TikTok destronou o Facebook entre os mais jovens, a aquisição do Twitter (agora X) por Elon Musk fez Zuckerberg parecer quase convencional em comparação, e o próprio conceito de “rede social” se fragmentou em um campo de batalha de influencers, teóricos da conspiração e conteúdo gerado por IA. Uma sequência pode parecer tardia ou assustadoramente oportuna — um acerto de contas com o monstro que “A Rede Social” primeiro apresentou.

Em uma era onde as ambições de Metaverso de Zuckerberg murcharam e o Facebook é visto como uma relíquia de uma internet diferente, “A Rede Social 2” pode ser justamente o alerta que precisamos agora.

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