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Brasil vê imóveis de alto padrão se tornarem ativo central de proteção patrimonial

Redação Culturize-se

O mercado imobiliário de alto padrão no Brasil vive, em 2025, um de seus momentos mais robustos e simbólicos. Dados do Global Wealth Report 2025, do UBS, indicam que o número de milionários em dólar no mundo atingiu um patamar recorde, impulsionado sobretudo pela valorização dos imóveis. No Brasil, esse movimento encontrou terreno fértil: o país já soma cerca de 433 mil pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão, liderando a América Latina nesse recorte. Em paralelo, o segmento de luxo e super luxo mais que dobrou de tamanho no mercado residencial nacional, consolidando-se como principal vetor de expansão e concentração de capital do setor.

Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado no segmento avançou mais de 120% em 2025, alcançando R$ 37,1 bilhões, enquanto o VGV vendido cresceu quase 90%, somando R$ 34,3 bilhões. O crescimento ocorreu mesmo em um cenário macroeconômico adverso, com Selic elevada a 15%, o que reforça a leitura de que o alto padrão passou a operar como ativo de proteção patrimonial, menos dependente de crédito e mais ancorado em capital próprio.

O avanço do número de “Everyday Millionaires”, investidores com patrimônio entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões, vem acompanhado de uma mudança silenciosa de comportamento. O relatório do UBS aponta que a alta do valor dos imóveis é hoje o principal motor dessa multiplicação de riqueza. Especialistas observam que essa nova classe de milionários busca menos ostentação e mais desempenho, longevidade e eficiência, em linha com o conceito de quiet luxury.

Leia também: Como a elite brasileira performa riqueza e reforça desigualdades

No mercado imobiliário, isso se traduz em projetos que priorizam qualidade do ar, eficiência energética mensurável, gestão hídrica e arquitetura pensada para envelhecer bem. Um exemplo emblemático é o Auris Residenze, pré-lançamento em Balneário Camboriú (SC), desenvolvido pelo Fischer Group com projeto do escritório italiano Archea Associati. Com apenas 26 unidades — uma por andar — o empreendimento foi concebido como um “edifício-árvore”, com ventilação cruzada real, fachadas que reduzem a dependência de ar-condicionado e integração estrutural de jardins suspensos.

Foto: Divulgação

“Percebemos um cliente que não quer apenas vista ou altura recorde. Ele quer saber como o edifício cuida do ar que respira, da água que consome e de quanto essa construção continuará atual daqui a 20 anos”, afirma Cláudio Fischer, CEO do Fischer Group. No projeto, sistemas prometem reduzir em até 42% a necessidade de ar-condicionado, além de monitoramento constante da qualidade do ar e soluções alinhadas a certificações como LEED e WELL.

Indicadores regionais

Regionalmente, São Paulo consolidou-se como o principal polo financeiro do mercado de luxo em 2025. O número de unidades lançadas mais que dobrou, saltando de 1.819 para 3.668, enquanto o VGV lançado avançou de R$ 8,6 bilhões para R$ 21,3 bilhões. O segmento passou a responder por 35% de todo o VGV lançado na capital, com a Vila Nova Conceição mantendo-se como o bairro mais caro, a R$ 44.882 por metro quadrado.

O Rio de Janeiro, por sua vez, confirmou-se como o mercado mais caro do país. A escassez de produto e a valorização acelerada levaram o Leblon a atingir R$ 63.373 por metro quadrado, após alta superior a 40% em um ano. Embora o crescimento em volume tenha sido mais moderado, o impacto financeiro foi expressivo, com o VGV vendido quase dobrando.

No Nordeste, o desempenho foi marcado por maior equilíbrio entre oferta e demanda. Capitais como Recife, Fortaleza e Maceió apresentaram expansão consistente, com forte capacidade de absorção e menor risco de estoque. Já a Região Sul reforçou sua vocação para a concentração de valor, com destaque para o litoral norte de Santa Catarina, que se firmou como “meca” dos arranha-céus de superluxo.

Para Renato Correia, presidente da Cbic, a Selic elevada aumentou a seletividade, mas não freou o segmento. “Esse público prioriza rentabilidade e preservação de patrimônio”, disse em entrevista à Forbes. Na mesma linha, Ely Wertheim, do Secovi-SP, aponta que a oferta limitada, sobretudo em São Paulo, segue sendo um dos principais fatores de valorização.

O cenário desenhado em 2025 sugere que o luxo imobiliário brasileiro deixou de ser apenas um símbolo de status. Ele passou a ocupar, de forma definitiva, o centro da estratégia patrimonial de uma nova geração de milionários; mais atentos à saúde, à eficiência e à durabilidade do que ao brilho imediato.

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