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"M3gan 2.0" assume faceta camp e propõe diversão sem amarras

Por Reinaldo Glioche

Se “M3gan” (2022) desenvolvia seu ideário de terror a partir da paranoia com a inteligência artificial, a sequência, mais divertida e megalomaníaca, embarca ainda mais nesse objeto de maravilhamento e apreensão. O longa de Gerard Johnstone, que tem como parceiro criativo o experimentado no gênero James Wan, abraça a referência de “O Exterminador do Futuro” e, por consequência, acaba se afastando da vertente do horror. Há menos de “Brinquedo Assassino” aqui e mais de “A Rebelião das Máquinas” – um claro indício do mergulho no universo da ficção científica.

A nova produção se passa dois anos após o filme original. Gemma (Allison Williams), tornou-se uma autora de grande prestígio e defensora da supervisão governamental da IA. Mas a sobrinha de Gemma, Cady (Violet McGraw), agora uma adolescente de 14 anos, ainda nutre sentimentos mal elaborados sobre tudo que aconteceu. É neste contexto que Gemma se vê no centro de uma corrida armamentista envolvendo Amelia, um protótipo militar criado a partir dos mesmos códigos de M3gan e que, aparentemente, se rebelou e está matando todos aqueles que tiveram alguma participação em sua criação. Os propósitos dessa avançadíssima inteligência artificial são ignorados, mas provavelmente têm a ver com destruição em massa.

A ideia de trazer M3gan de volta, ela nunca realmente se foi, mantendo-se escondida na casa inteligente de Gemma, a uma forma física assombra a tia de Cady e sua equipe, mas pode ser a única alternativa de salvar a humanidade. “M3gan 2.0” em nenhum momento se leva a sério e justamente por isso se apresenta ridiculamente divertido. Tal como Arnold Schwarzenegger na franquia “O Exterminador do Futuro”, M3gan aqui volta como heroína, o que ratifica seu status como ícone da cultura pop dos anos 20.

Johnstone mescla diversos gêneros sem muita finesse. Da espionagem industrial à ação, ele utiliza o humor como liga para uma produção extremamente consciente de seus objetivos e limitações. Ainda assim, o filme sofre um pouco para se segurar na meia hora final, quando parece ter dado um passo maior do que a perna.

Enquanto a corrida pela inteligência artificial era o pano de fundo do primeiro filme, aqui vira a materialização de nossos piores pesadelos. Não há, porém, qualquer intenção de refletir sobre a necessidade de regulação da tecnologia, embora esta seja um dos motes do longa. Nada que diminua o impacto de “M3gan”, mais camp do que nunca, enquanto entretenimento.

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