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Barron’s Cove entrega tragédia sem alívio

Redação Culturize-se

“Você tem filhos, detetive?”, pergunta Caleb (Garrett Hedlund) em “Barron’s Cove”, um sombrio thriller policial mergulhado em desespero. Hedlund, conhecido por “Na Estrada” e outros tantos filmes indies, interpreta um pai desgrenhado e volátil, consumido pelo luto após a morte do filho pequeno, Barron — tragédia que desencadeia a trama. O que começa com ecos de “A Outra Face” — onde a morte de uma criança impulsiona uma busca frenética por vingança — rapidamente se transforma em uma jornada arrastada de 116 minutos, quase sem alívio, salvo por raros lampejos de charme.

Como em “Conta Comigo”, a tragédia aqui também envolve um trem, mas Barron’s Cove troca a ternura pela brutalidade. Caleb e sua ex-esposa Jackie (Brittany Snow) ficam devastados ao saber que Barron morreu nos trilhos. A polícia, liderada pelo suspeito chefe Alberts (Marc Menchaca), descarta o caso como suicídio, reforçado pelo testemunho de Ethan (Christian Convery), filho adotivo do asqueroso Lyle (Hamish Linklater).

Caleb se recusa a aceitar a versão oficial e inicia uma busca desesperada por justiça, contando apenas com o apoio do detetive Navarro (Raúl Castillo), que suspeita de algo mais profundo. No caminho de Caleb está seu próprio chefe, Benji (Stephen Lang), um mafioso com um bigode meticulosamente aparado que grita ameaça. Benji quer manter os negócios funcionando e tenta convencer Caleb a abandonar a investigação.

Mas Caleb não desiste. Em um ato que o leva definitivamente ao território dos anti-heróis, ele sequestra Ethan, mantendo o garoto apavorado preso até que revele a verdade. Nesse momento, o filme toca em questões desconfortáveis sobre moralidade — praticamente todos os personagens são comprometidos, e encontrar alguém digno de empatia se torna difícil.

Apesar das atuações dedicadas, “Barron’s Cove” parece sufocar sob o próprio peso, sem alcançar o exagero divertido dos filmes aos quais faz referência. No fim, deixa o público apenas com um sentimento implacável de desespero — e pouco mais que isso.

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