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Casamento às Cegas diverte e faz repensar comportamentos

Jonathan Pereira

“Casamento às Cegas” (Love is Blind), reality da Netflix, é viciante pela janela que nos abre para o comportamento humano. Não à toa, segue com fôlego em diferentes países, e acaba de estrear sua segunda temporada no Brasil, com episódios liberados em 28 de dezembro, 4 e 11 de janeiro.

Se você ainda não assistiu, funciona assim (não se preocupe, este texto não trará spoilers): dez homens e dez mulheres que nunca se viram mas estão dispostos a encontrar um amor e subir ao altar entram em “cápsulas” e conversam com pessoas do sexo oposto sem vê-las, separados por uma parede.  Após alguns papos “às cegas”, decidem com quem estão dispostos a noivar.

Só então quem disse ‘sim’ ao outro se conhece pessoalmente, e a cerimônia é marcada para dali a um mês. Acompanhamos a partir daí a rotina de cinco casais formados, que passam a conviver, passear, conhecem os demais participantes, apresentam o (a) pretendente à família e aos amigos e se preparam para o casamento.

Nanda Terra e Mack se envolveram após o programa e tiveram um filho, Ben | Reprodução/Instagram @nandaterrafortes/

É ótimo acompanhar de fora uma história, ver duas pessoas se apaixonando, trocando olhares e frases que navegam entre o idiota e o cafona. A curiosidade para saber se eles ficam juntos ou não prende a atenção e nos leva a deixar rolar o episódio seguinte.

Se nos primeiros momentos a realidade parece suspensa e tudo é lindo, É na parte da convivência que as diferenças vêm à tona e muitas vezes o conto de fadas desmorona. Nem sempre só amor – ou o que se pensa ser amor – é suficiente para superar as divergências.

“Casamento às Cegas” fascina ao expor a carência do ser humano em ser amado, agarrando-se a qualquer ponto em comum que encontra em alguém e trocando juras antes mesmo de ver a pessoa com quem está falando, como se fosse uma tábua de salvação – e não pense que é coisa de TV, nos aplicativos de paquera isso também pode acontecer.

Depois que se conhece, o mais comum é o novo casal tentar passar por cima de inúmeras incompatibilidades para “fazer dar certo” – fica nítido para quem assiste que para vários não dá, mas eles levam tempo para perceber – assim como nós, muitas vezes, na vida real.

A identificação é imediata, já que em algum momento (ou mais de um) na vida passamos por isso. O experimento, como é chamado, nada mais faz do que jogar holofotes sobre a vida real onde, tirando a parte de se apaixonar sem ver o outro, muitas pessoas vivem o mesmo processo: se agarram a quem dá atenção e, para estar com alguém, não importa quem, acabam relevando coisas que machucam, tentando se anular pelo bem de uma relação que no fim não teria futuro – mas só o tempo e a tentativa e erro farão perceber isso.

Em parte a culpa desse “tudo ou nada” por um relacionamento é da criação: desde cedo a família incute conceitos como “você deve encontrar alguém para a vida inteira”, “serem felizes para sempre”, “até que a morte os separe”. Com isso, parte-se de certa forma às cegas em busca de uma outra pessoa, sem enxergar se o outro é realmente compatível com o que você deseja – e até para justificar incompatibilidade há a relativização normalizada de que “os opostos se atraem”.

Isso tudo fica explícito no comportamento da maioria dos participantes, e alguns só têm coragem de dizer ‘não’ no altar, deixando o par em frangalhos. Para muitos deles você dirá: ‘antes de encontrar alguém, ele (a) deveria fazer terapia’. O reality traz um espelho da sociedade, onde parte deveria primeiro se conhecer e saber o que quer antes de exigir algo do outro.

O programa é uma boa chance de quem acompanha repensar os valores e ensinar os mais novos a não sofrerem da mesma maneira dos que estão ali. Não é preciso ser radical, apenas dizer às novas gerações para se amarem em primeiro lugar e que cada relação na vida, seja amizade ou romance, vai durar o tempo que tiver que durar, fazendo com que nos reinventemos de tempos em tempos, sempre que necessário – e isso não deve ser visto como algo ruim.

Separados por uma parede, participantes trocam juras de amor e se apaixonam (Reprodução/Instagram @loveisblindnetflix)

O que esperar

Na primeira temporada brasileira, gravada no primeiro semestre de 2021, Lissio e Luana foram o casal que mais deu certo, anunciando a separação no início de novembro de 2022. Nanda Terra protagonizou um fato curioso: ficou dividida entre o arquiteto Mack David e o paraquedista Thiago Rocha, mas acabou optando pelo segundo, a quem disse ‘sim’. A união degringolou, ela e Mack se reencontraram e hoje têm um filho, Ben. Era para ser!

Camila Queiroz e Klebber Toledo seguem na apresentação – no ano passado, estavam menos naturais que Nick e Vanessa Lachey, casal que comanda a versão original.  Para a nova temporada, a direção promete “mais diversidade de corpos e brasilidade”, e a fase da lua de mel foi gravada na floresta amazônica. Ao final de cada temporada, há um episódio em que todos os casais se reencontram e lavam a roupa suja. A conferir – e viciar novamente!

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