Redação Culturize-se
As marcas brasileiras atravessam um momento de forte valorização. O ranking Kantar BrandZ Top 50 Most Valuable Brazilian Brands 2026 mostra que o valor combinado das 50 marcas mais valiosas do país chegou a US$ 101,1 bilhões, crescimento de 22% em relação a 2024. O resultado representa uma aceleração importante: no levantamento anterior, a expansão havia sido de 4%.
Na liderança está o Itaú, avaliado em US$ 13,244 bilhões. O banco, que ocupa o primeiro lugar há anos, aumentou seu valor de marca em 79% em dois anos. A Kantar atribui o desempenho à capacidade de renovação da instituição, que combina a tradição de uma empresa centenária com investimentos em produtos digitais, inteligência artificial e novas experiências para o consumidor.
Mas é o Nubank que protagoniza a transformação mais expressiva do ranking. A instituição saltou três posições e chegou ao segundo lugar, com valor de US$ 12,024 bilhões — uma valorização de impressionantes 162%. A diferença para o líder é de pouco mais de US$ 1,2 bilhão.
O movimento revela uma mudança estrutural no setor financeiro. Criado como uma alternativa digital aos bancos tradicionais, o Nubank ampliou sua atuação para pagamentos, investimentos, seguros e telecomunicações. Segundo a Kantar, a empresa conseguiu transformar uma proposta originalmente baseada em simplicidade e transparência em um ecossistema de serviços incorporado ao cotidiano dos consumidores.
O setor financeiro, aliás, é o grande protagonista da edição de 2026. A categoria responde por 39% do valor total do ranking, e cinco das dez marcas que mais cresceram pertencem ao segmento. Entre as razões apontadas pela Kantar estão a digitalização dos serviços, a competição com novos bancos, a inovação e a expansão do Pix, que modificou hábitos de consumo e relacionamento com instituições financeiras.
Fora dos bancos, a Claro aparece na terceira posição, com US$ 7,421 bilhões, seguida por Brahma, com US$ 6,635 bilhões, e Vivo, com US$ 5,710 bilhões. A Vivo também chama atenção pelo crescimento de 71% no período. Bradesco, Skol, Petrobras/BR, Localiza e Antarctica completam o Top 10.

O ranking também mostra que tradição e inovação não são necessariamente forças opostas. A Brahma, por exemplo, manteve praticamente estável seu valor, em US$ 6,6 bilhões, mas continua entre as marcas mais valiosas do país ao preservar sua associação com elementos da cultura brasileira, como futebol e celebração, enquanto atualiza sua comunicação para novos públicos.
Outro dado relevante é a chegada de seis novas marcas ao Top 50: iFood, Smart Fit, Inter, Stone, Mateus e Vivara. Para a Kantar, a presença dessas empresas reforça a ascensão das chamadas challenger brands, negócios que conquistam espaço ao propor novas experiências ou desafiar modelos estabelecidos.
Por trás dos números está o conceito de Meaningful Difference, um dos pilares da metodologia BrandZ. A Kantar avalia a capacidade de uma marca ser significativa para o consumidor, diferente dos concorrentes e facilmente lembrada. A combinação desses atributos, segundo o estudo, aumenta a capacidade de gerar demanda e transformar força de marca em resultado financeiro.
A pesquisa ouviu mais de 118 mil consumidores, que avaliaram 1.663 marcas em 144 categorias. A metodologia combina dados financeiros com informações sobre percepção dos consumidores para estimar quanto do valor de uma empresa é efetivamente atribuído à sua marca.
Mais do que uma fotografia do mercado, o ranking sugere uma disputa pelo futuro. O Itaú representa a força de uma marca tradicional capaz de se reinventar; o Nubank, a capacidade de uma empresa digital de redesenhar uma categoria inteira. Para a Kantar, o próximo ciclo será vencido pelas empresas capazes de antecipar necessidades, criar diferenciação continuamente e transformar inovação em experiências que façam sentido na vida das pessoas.