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Paramount deixa mercado de cinemas no Brasil e fortalece exibidores nacionais

Reinaldo Glioche

A Paramount Skydance concluiu a venda das operações da rede UCI no Brasil para uma joint venture formada pela paulista Cine Araújo e pelo Grupo Vila Rica, controlador da mineira Cineart e da distribuidora Cineart Filmes. O negócio envolve as marcas UCI e UCI Kinoplex, esta última administrada em parceria com o Grupo Severiano Ribeiro, e reúne 25 complexos e mais de 200 salas em 11 estados. A operação foi comunicada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Batizada de Cia Brasileira de Cinemas, a nova estrutura transforma o mercado de exibição no país. Com a incorporação dos ativos, a Cine Araújo passa a somar 432 salas e ultrapassa Cinesystem e Kinoplex, assumindo a terceira posição entre as maiores redes brasileiras, atrás apenas de Cinemark e Cinépolis. Ao todo, Cine Araújo, Cineart e UCI passam a reunir 66 complexos.

A operação também amplia significativamente a presença geográfica das compradoras. A Cine Araújo mantém atualmente 29 complexos em dez estados, com forte atuação em cidades do interior, enquanto a Cineart concentra suas unidades em Minas Gerais. Com a UCI, a nova companhia chega a mercados como Recife, Fortaleza, Belém e Juiz de Fora. Apesar da sociedade para a aquisição, as empresas deverão continuar administrando separadamente suas operações próprias e preservando as respectivas marcas.

O valor da transação não foi divulgado. A UCI faturou cerca de R$ 360 milhões no Brasil em 2024. O processo de venda se estendeu por mais de um ano e contou com pelo menos outra proposta, segundo rumores no mercado exibidor.

A venda faz parte de uma estratégia mais ampla da Harbor Lights Entertainment (HLE), holding controlada pela família Ellison e pela RedBird Capital, de reduzir sua participação no negócio de exibição cinematográfica. Nos Estados Unidos, a companhia vendeu 13 unidades da rede Showcase para a belga Kinepolis por US$ 30 milhões e também procura comprador para suas operações na Argentina.

Foto: Reprodução/Internet

A movimentação ocorre enquanto os controladores da Paramount tentam avançar na fusão com a Warner Bros. No Brasil, exibidores têm questionado a concentração que a operação pode produzir na distribuição de filmes. A saída da UCI reduz, porém, a presença direta do grupo em salas de cinema no mercado brasileiro.

O negócio chega ainda em um momento contraditório para o setor: o Brasil terminou 2025 com 3.544 salas, recorde histórico, mas registrou 112,8 milhões de ingressos vendidos, queda de 10% sobre 2024 e ainda muito abaixo dos níveis anteriores à pandemia.

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