Redação Culturize-se
O cineasta iraniano Asghar Farhadi, duas vezes vencedor do Oscar e um dos nomes mais respeitados do cinema mundial, falou sobre o status quo ao The Hollywood Reporter durante o Festival de Sarajevo. O diretor, que acaba de lançar “Histórias Paralelas”, também falou sobre o momento delicado de seu país, envolvido em conflitos com os Estados Unidos e Israel, enquanto artistas como Jafar Panahi enfrentam prisão. Farhadi reafirma sua posição contra a guerra e destaca que seu vínculo com o povo iraniano o levou a retornar ao país por terra após concluir seu último filme na França. “Eu amo aquela cultura, cresci ali”, afirma. Ele acredita que o cinema sempre absorve os impactos da política, embora os efeitos demorem a aparecer na tela.
Mesmo diante das tensões globais, Farhadi diz sentir solidariedade da comunidade internacional de cineastas. Para ele, reagir à dor alheia é um gesto humano essencial. O diretor relembra declarações recentes em que convocou artistas do mundo inteiro a se posicionarem contra agressões que atingem civis e destroem infraestrutura cultural.

“Histórias Paralelas”, estrelado por Isabelle Huppert e Virginie Efira, estreou em Cannes com recepção discreta, mas garantiu distribuição ampla em diversos países. No Brasil, será lançado pela Imovision. Farhadi já trabalha em seu próximo projeto, embora prefira manter silêncio sobre detalhes.
O cineasta também defende a importância de festivais de médio porte, como Sarajevo, Locarno e San Sebastián, especialmente em um cenário em que plataformas digitais disputam atenção com as salas de cinema. Para ele, assistir a um filme em família, numa sala escura, é uma “cerimônia sagrada” que esses eventos ajudam a preservar.
Farhadi se mostra entusiasmado com a nova geração de diretores, cuja linguagem considera mais ousada e conectada à vida real. Ele rejeita a ideia de que o cinema esteja morrendo: para ele, a arte apenas se transforma, encontrando novos ritmos, estilos e formas de olhar o mundo.